Brasileiros não se preocupam em economizar para a aposentadoria

Por Diana Dantas


A fábula da cigarra e da formiga simboliza bem como brasileiro lida com a questão da aposentadoria. Para a comparação fazer sentido, vamos relembrar o conto e, mais abaixo, apresentar algumas informações.

Durante o verão, a cigarra canta feliz, enquanto vê a formiga trabalhadora passar, carregando alimento com a finalidade de estocar comida para o inverno. A primeira, então, zomba da segunda, por tamanho esforço. Quando a estação mais fria do ano chega, a cigarra está sem o que comer e vê a formiga e suas companheiras muito bem alimentadas. Moral: guarde hoje para poder se manter amanhã.

Ao recapitular a narrativa fica claro que o brasileiro é a cigarra da história. A constatação é feita a partir de um dado alarmante: apenas seis, em cada 10 brasileiros, poupam para aposentadoria, segundo estudo do Instituto Paraná Pesquisa, a pedido do jornal Correio Braziliense.

Outra análise, escrita em artigo pelo economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio), a partir de um levantamento do Banco Mundial, comprova ainda que esse mau hábito é uma característica particular. O Brasil possui o percentual mais baixo – em uma relação de dez países – de cidadãos, com mais de 15 anos, que afirmam economizar para o período de inatividade. Na lista, estão na frente diversas economias emergentes, semelhantes à nossa, como Argentina, Índia, Chile, Rússia, Colômbia, África do Sul e México. O levantamento também revela que apenas 4,7% de 60% da população mais rica juntam dinheiro para quando chegar a terceira idade. A situação piora entre os 40% mais pobres. Somente 2,1% poupam.

Quem não quiser fazer parte dessas estatísticas deve começar a se preocupar desde cedo.  É necessário compreender que o futuro é imprevisível e nem sempre acontece da forma como sonhamos. Mas quais os passos a se seguir até lá?

 

Como se prevenir e poupar para aposentadoria?

A primeira regra, caso o objetivo seja garantir uma aposentadoria mais confortável e tranquila, é começar cedo. O melhor é que seja logo no início da vida ativa, aos 20 e poucos anos. Guardar um pouco, todo mês, e esquecer que o dinheiro existe. Deposite a quantia que for possível e vá aumentando a contribuição ao longo dos anos, de acordo com crescimento profissional. Se a idade ideal passou, não se desespere. Ainda dá tempo! Só precisa começar o quanto antes e pagar parcelas maiores.

Uma vez que já se comprometeu a economizar uma parte dos ganhos, o contribuinte deve pensar qual a opção mais acertada a se investir. A previdência privada é uma das melhores. Há um cardápio de alternativas criadas para se encaixar com a realidade e os propósitos de cada cliente. Aqueles que querem investir seus recursos a longo prazo, por exemplo, podem contratar um plano de tabela regressiva, que possibilita a distribuição de uma renda complementar a do INSS.

Nesse tipo de tabela, as alíquotas ainda são decrescentes conforme o prazo de acumulação de cada contribuição. Ou seja, aplicações mais antigas são tributadas com taxas menores. A ideia é ser um incentivo para que os clientes deixem o dinheiro render sem a tentação de sacá-lo a curto ou médio prazo. Adicionalmente, o contratante tem a vantagem de ter o Imposto de Renda cobrado exclusivamente na fonte e não sofrer compensação ou restituição na Declaração de Ajuste Anual.

Outra possibilidade existente é entrar para um fundo de pensão, caso a empresa em que se trabalhe ofereça essa alternativa. Durante o período de atividade, o contribuinte consegue deduzir uma percentagem de sua renda tributável e ainda obter taxas de administração, de empréstimos e de financiamentos mais baixas do que as do mercado. Os fundos também oferecem vários tipos de planos, voltados para cada perfil de cliente. Por isso, antes de contratar um, consulte um especialista.

Como deu para perceber, há uma ampla gama de possibilidades para fazer o dinheiro render. O mais importante, porém, é começar o quanto antes a guardar uma parte do salário mensalmente. Com a disciplina adequada, o cliente vai continuar a desfrutar da vida por muitos e muitos anos.

Publicado por Diana Dantas

Formada pela PUC-Rio, Diana Dantas passou por diferentes redações, como O Estado de S. Paulo, Agora SP (Grupo Folha) e Brasil Econômico (Grupo Ejesa). Nesse período, trabalhou nas editorias de Educação, Cidades, Cultura e Economia. Desde de 2017, escreve para Icatu sobre seguros e planejamento financeiro.

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