Como colaborar com a vida financeira dos netos?

Por Diana Dantas

Avós são conhecidos por mimarem os netos. Deixam fazer o que os filhos não permitiriam. O envolvimento deles, no entanto, na vida das crianças costuma ir muito além da imagem romantizada. Quando estão por perto, em geral, ajudam na criação. Muitos cumprem o papel babá, sempre que os pais precisam ou querem se divertir. Outros contribuem financeiramente nos momentos de dificuldade. Há ainda aqueles que possuem guarda legal. Substituem o progenitor, em caso de morte ou ausência.

Esse convívio enriquecedor pode até aumentar a expectativa de vida dos idosos, segundo  o Estudo de Envelhecimento de Berlin. A pesquisa avaliou a vida de 500 pessoas, entre 70 e 103 anos, no decorrer de 19 anos. Os dados afirmam que cuidar das crianças (sem ter a guarda) diminui o risco de mortalidade em 37%. Mais da metade do grupo de avós participativos na criação dos netos viveu por mais de dez anos, após o início do estudo. Já 50% do outro grupo morreu em um período de até 5 anos.

Além desses números surpreendentes, o aumento da expectativa de vida do brasileiro – 75,5 anos, segundo Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2016 – também contribuiu para um convívio mais duradouro entre avós e netos. Muitos os veem crescidos e casados. Viram até bisavós. Um privilégio de poucas pessoas das gerações anteriores. Como, então, continuar a cuidar deles depois da fase adulta?

 Previdência privada em nome de crianças

 Sabe-se o quanto é importante começar a juntar dinheiro para o futuro desde cedo. Essa consciência é difícil de desenvolver quando somos muito jovens. Portanto, cabem aos adultos – e por que não aos avós? – se preocuparem em ensiná-la às crianças e auxiliar no primeiro passo de um pé-de-meia.

Uma boa solução é contratar um plano de previdência privada no nome do neto, pouco após o nascimento. Ao contribuir uma pequena quantia ao longo dos anos, quando o bebê crescer terá o dinheiro necessário para realizar seus sonhos.

Digamos, por exemplo, que a ideia inicial seja garantir os estudos universitários. Nesse caso, os avós podem escolher um plano de tabela regressiva, pois é mais vantajoso para quem aplica por mais de 10 anos. Isso ocorre, porque a alíquota de tributação cai ao longo do tempo de acumulação. Logo, quando neto entrar na faculdade vai ter a possibilidade de sacar o dinheiro com apenas 10% de imposto.

Durante esse período, os avós também podem beneficiar seus próprios filhos, ao contratar um PGBL – ideal para quem faz o Imposto de Renda pelo formulário completo. Assim, o declarante, cujo o dependente, de até 18 anos, é titular de um plano de previdência, consegue obter uma dedução de até 12% do IR.

Caso os pais tenham condição de pagar os estudos dos filhos ou eles entrem em uma universidade pública, outra opção é deixar o dinheiro render mais ainda. Com uma educação financeira adequada, a criança pode aprender a importância de poupar também para a sua aposentadoria. Dessa forma, depois de crescido, será capaz de continuar a contribuir e, quando for a hora de deixar de trabalhar, já terá o suficiente para curtir a terceira idade. Então, ele conseguirá fazer sua parte a fim de colaborar com a criação de seu próprio neto. Fechando um ciclo de vida.

Publicado por Diana Dantas

Formada pela PUC-Rio, Diana Dantas passou por diferentes redações, como O Estado de S. Paulo, Agora SP (Grupo Folha) e Brasil Econômico (Grupo Ejesa). Nesse período, trabalhou nas editorias de Educação, Cidades, Cultura e Economia. Desde de 2017, escreve para Icatu sobre seguros e planejamento financeiro.

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