Como educar um filho a ser independente financeiramente

Por Diana Dantas


Filhos e dinheiro. A relação dos dois nem sempre é muito saudável, principalmente, na adolescência, a fase de afirmação pessoal.

Nesse período, é muito comum querer consumir roupas de marcas e objetos eletrônicos porque todos os amiguinhos têm. Para satisfazer a vontade dos jovens e não entrar em confronto, muitos pais acabam dando mais do que o necessário e criando adultos consumistas e dependentes.

Educar um filho não é fácil, e dizer “faça isso” e “deixe de fazer aquilo” é muito simples para quem está de fora. Por isso, a iniciativa de ensinar as crianças a serem independentes financeiramente deve partir dos próprios pais. Vai exigir um esforço extra, mas é possível. Veja alguns passos que podem ajudar.

Imponha um limite de gastos

Isso é regra básica, a maioria já sabe. Com certeza, no entanto, a maioria também conhece aquela pessoa que mima demais o filho. Dizer “não” na medida certa é o grande desafio.

Faça um cálculo de quanto a criança costuma gastar com despesas diárias, como lanche do recreio, e acrescente um valor a mais, que vá de acordo com a sua realidade. Então, estimule a guardar o dinheiro restante em um cofrinho ou até mesmo no banco, dependendo da idade. Se essa renda é uma semanada ou uma mesada, isso fica por conta dos recursos e da disponibilidade dos pais.

Não seja severo ou rígido demais, porém. Pesquisas recentes mostram que quando há muito controle, a criança cresce com baixa auto-estima e sem senso de responsabilidade.

Dê o exemplo

Ensine o filho a administrar a própria renda dando o exemplo. Crianças e adolescentes costumam ter seus pais como modelos a serem seguidos. Isso ocorre para o bem e para o mal. Se os pais também parecem não saber o valor do dinheiro, gastam em excesso ou não são planejados, é pouco provável que vá conseguir transmitir essa ideia aos seus rebentos. Por isso, o esforço começa avaliando a si mesmo. Se organize primeiro e envolva seu filho na mudança. Caso já seja uma pessoa bem-resolvida nesse aspecto, mostre à sua cria como se faz. Toda vez que for atualizar a planilha de gastos, chame a criança para acompanhá-lo. Há adultos que não gostam de envolver os pequenos na vida financeira, mas isso pode construir uma relação de confiança. O ideal é educá-los desde cedo para crescerem conscientizados.

Ensine a poupar

Já mencionamos acima que os filhos devem separar uma parte da semanada ou da mesada para a realização de sonhos. Mostre, contudo, como viabilizá-los. Quer um videogame novo? Quanto custa? Quanto tempo levará para comprar? Ajude-os a fazer essa conta, principalmente, quando são mais novos. A cada objetivo realizado com o dinheiro poupado, comece de novo.

E depois de que o filho cresceu e tem sua própria renda?

Com esses pilares da boa educação financeira já estabelecidos, torna-se mais fácil ser um adulto bem planejado. Quando começarem a entrar os primeiros salários, explique como montar uma planilha e comece a pensar como ajudar o seu filho ser independente.

De acordo com o CFA Institute, é fundamental não ir com sede ao pote no momento em que a renda aumenta. A ideia é manter o padrão de vida durante um tempo. Além de frisar essa importância, ensine-o a investir como um adulto, de forma responsável, e a diversificar o portfólio pensando também na aposentadoria. Mesmo que valor poupado seja baixo, como a porcentagem de um salário de estágio ou de um primeiro emprego, o que fica é a lição.

Após o filho “decolar sozinho”, não o perca de vista. Procure sempre acompanhar um pouco a rotina financeira dele, sem invadir demais a sua privacidade. É importante deixá-lo cometer os seus próprios erros também. Às vezes, só assim que se aprende.

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Publicado por Diana Dantas

Formada pela PUC-Rio, Diana Dantas passou por diferentes redações, como O Estado de S. Paulo, Agora SP (Grupo Folha) e Brasil Econômico (Grupo Ejesa). Nesse período, trabalhou nas editorias de Educação, Cidades, Cultura e Economia. Desde de 2017, escreve para Icatu sobre seguros e planejamento financeiro.

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