Como falar com as crianças sobre a crise financeira?

Por Diana Dantas

Quando pensamos em equilíbrio, visualizamos alguém andando sobre uma corda ou apoiado somente em uma perna, como um yogue. O verdadeiro aprumo, porém, se encontra nos pequenos detalhes e nos mais variados aspectos do cotidiano – desde o mental até o financeiro.

Essa estabilidade, no entanto, parece estar bem longe da realidade de muitas famílias atingidas pela crise econômica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente em janeiro deste ano, o desemprego ficou 12,2%, um total de 12,7 milhões de pessoas.

No momento em que um dos provedores de uma casa fica desempregado, o orçamento doméstico costuma ser afetado e o equilíbrio também. Em prol do seu retorno, todos na família precisam se sacrificar de alguma forma: sejam nas compras do dia a dia, no lazer do fim de semana ou ainda na hora de satisfazer os desejos dos filhos.

Uma das piores situações, contudo, é lidar com a incompreensão dos pequenos sem maturidade o suficiente para entender a circunstância ao redor. Como explicar e pedir colaboração deles, sem manhas e caprichos? Alguns pais consideram a missão bem difícil. Diante disso, a seguir vamos dar algumas dicas com a finalidade de superar esse revés.

Encontre o reequilíbrio financeiro ao lado dos filhos

Muitos pais acreditam que as crianças devem ficar longe dos problemas da família. A exclusão da realidade da casa pode, entretanto, ter o efeito reverso ao desejado, pois o assunto sempre acaba respingando, de um jeito ou de outro. Sem entender de maneira clara, elas absorvem as adversidades de forma enviesada, tornando-as pior ainda.

Por isso, sempre tenha um diálogo franco com seus filhos. Esconder nunca é a melhor opção. Para se sentirem relaxados na hora da conversa, encontre local e horário adequados. Escolha cuidadosamente as palavras empregadas. Mostre um tom positivo, mesmo o momento sendo de pessimismo. Isso ajuda a passar um sentimento de segurança. Seja, porém, sempre sincero e evite criar falsas expectativas. Esteja aberto a quaisquer tipos de dúvidas que apresentem. Responda com paciência.

Pedir a colaboração deles também é uma atitude positiva. Pergunte as suas opiniões nas tomadas de decisão. Pode parecer sem sentido, pois, às vezes, as crianças são muito novas e oferecem palpites completamente fantasiosos. Mesmo assim, a iniciativa tem tudo para dar bons frutos, uma vez que elas se sentirão integradas à família e terão a sensação de ajudar. Ganharão confiança e desejarão fazer o mesmo com a sua própria mesada, por exemplo.

Os pais também devem torna-se um modelo a ser seguido dentro de casa. Em vez de, simplesmente, pedir ao filho para fechar a torneira ou apagar o interruptor, com o intuito de economizar água e energia, mostre que faz a sua parte também e o estimule a repetir a atitude. Não é necessário brigar, caso se esqueça. Apenas ensinar é importante.

A mudança dos hábitos da casa e dos filhos acontece devagar. O processo leva um tempo até se ajustar. Essa é a melhor fase, entretanto, para ensiná-los o valor do dinheiro e como poupar, a fim de perseguir seus próprios sonhos. Ter as crianças ao nosso lado, nesse momento difícil, pode dar aquela forcinha extra, para reencontrar o equilíbrio. De quebra, ainda se deixa um legado educacional.

Publicado por Diana Dantas

Formada pela PUC-Rio, Diana Dantas passou por diferentes redações, como O Estado de S. Paulo, Agora SP (Grupo Folha) e Brasil Econômico (Grupo Ejesa). Nesse período, trabalhou nas editorias de Educação, Cidades, Cultura e Economia. Desde de 2017, escreve para Icatu sobre seguros e planejamento financeiro.

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