Como fazer para tomarmos atitudes financeiras que costumamos postergar?

Por blogicatu


Procrastinação significa deixar para depois, adiar, demorar a tomar uma decisão. Já impaciência significa não saber esperar, falta de paciência, inquietude para aguardar. Mas como essas duas características presentes em algumas pessoas podem atrapalhar suas vidas financeiras?

Segundo especialistas em finanças comportamentais, a impaciência atrapalha em situações cujos benefícios dependam que se consiga esperar por algum resultado. E a procrastinação prejudica em situações que exijam uma atitude imediata ou que piorem com o passar do tempo.

Apesar de serem comportamentos opostos, os impacientes também podem procrastinar, como mostra um estudo retratado no artigo Procrastination and Impatience (2009). No estudo, um grupo de alunos de pós-graduação em Negócios da Universidade de Chicago foi confrontado com a decisão de ter que escolher entre receber um determinado valor em cheque no presente ou recebê-lo em duas semanas, sendo que na segunda opção ele ganharia uma bonificação. O intuito era medir o tempo que as pessoas levavam para descontá-lo.

Resultado: a maioria preferiu receber o valor antecipado, porém demorou mais de duas semanas para descontar o cheque. Ou seja, poderia ter esperado e recebido o prêmio ou ter antecipado o desconto do cheque e se beneficiado de alguma forma. No entanto, não fez nem uma coisa nem outra.

Uma das explicações possíveis para esse tipo de comportamento é o chamado Viés do Presente, ou seja, a tendência que temos de antecipar as boas experiências, privilegiando uma gratificação imediata, em detrimento de intenções futuras.

Um experimento famoso perguntou para as pessoas o que elas preferiam comer daqui a uma semana: uma fruta fresca ou uma barra de chocolate suíço. A maioria respondeu que preferia a fruta. No entanto, quando lhes oferecem instantaneamente, a maioria pegou a barra de chocolate.

Um claro exemplo sobre isso extraímos de uma pesquisa realizada pela Icatu Seguros com 400 clientes de todo o Brasil. Ao serem perguntados sobre qual seria sua principal preocupação em relação à aposentadoria, a maioria (70%) respondeu que não conseguir manter o padrão de vida atual no futuro e não passar por dificuldade financeira.

No entanto, aos serem questionados sobre o que fariam se recebessem uma quantia significativa em dinheiro agora (como indenização, herança, sorteio, etc.), 34% dos entrevistados responderam que investiriam em um bem material, na frente de investir no seu plano de previdência, com 23%.

Ambos os exemplos comprovam, por meio de situações reais, a correlação que existe entre o viés do presente e a procrastinação, nos deixando a pergunta: como fazer para conseguirmos tomar as atitudes que costumamos postergar, se beneficiando da nossa impaciência?

Uma boa estratégia é a programação de aplicações automáticas para nos obrigar a guardar dinheiro sem esforço. Um ótimo exemplo são os planos de previdência privada que, diferente de um fundo de investimento, oferecem a possibilidade de a contribuição mensal ter valor fixo e ser automática, via débito em conta, ajudando o investidor a ter disciplina para continuar a investir.

É uma forma de inverter a situação e usar a procrastinação a nosso favor, já que a atitude, nesse caso, tem que ser tomada não mais para poupar, mas para deixar de fazê-lo.

A lição que fica é que o mais importante é entender como as nossas tendências funcionam e usar a criatividade para revertê-las a nosso favor, transformando as fraquezas em vantagens que nos façam tomar melhores decisões financeiras. Embora a procrastinação seja natural, vale a pena lutar contra ela, através da disciplina, para atingir seus objetivos.

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