Como foram os primeiros 6 meses do ano e o que vem pela frente?

Por Paula Lopes

Entre os acontecimentos marcantes dos primeiros 6 meses do ano, sem dúvida, a inesperada pandemia do novo corona vírus tem seu destaque garantido no topo da lista e será lembrada para toda a história. 

A desconhecida ameaça se espalhou pelo planeta mobilizando governos e populações no zelo pela vida. Do dia para a noite alteramos completamente a dinâmica das relações sociais e econômicas. Todos os setores da sociedade foram, em maior ou menor grau afetados, e viveram (ou ainda vivem) dias de crise e medo.

O mercado financeiro foi um dos mais impactados. A volatilidade extrapolou as fronteiras da bolsa de valores e produziu impactos nas taxas de juros e no preço dos títulos públicos. 

O que fazer com os investimentos diante da turbulência e do caos? Como agir num cenário de total imprevisibilidade? Trouxemos para você alguns movimentos significativos do primeiro semestre que podem servir de boas lições. Nossa gestora de produtos Talita Raupp contribui com análises e um panorama do que vem pela frente.  

Movimentos observados em 2020


A volatilidade e o risco inerentes ao mercado financeiro no Brasil chegaram, em março, a limites difíceis de tolerar, mesmo para os mais experientes.

O circuit breaker, mecanismo da bolsa projetado para proteger os investidores quando há quedas bruscas no preços dos ativos negociados, foi acionado seis vezes. A situação atípica interrompe temporariamente as negociações no pregão para estancar desequilíbrios. A expectativa era de paralisação econômica mundial, sem que ninguém pudesse dizer quanto tempo a crise iria durar.

Migração da renda fixa para estratégia multimercado 

Num cenário incerto e de muita ansiedade a migração esperada para investimentos de baixo risco precisou ser confrontada com outro indicador por aqui: a taxa Selic. A redução desta taxa a patamares na ordem de 2% tornou a rentabilidade dos produtos atrelados a ela – normalmente investimentos de renda fixa muito procurados por perfis mais conservadores – pouco atrativos.

“Nos últimos meses, com a possibilidade de ter aplicações sem nenhum rendimento ou até mesmo com resultado negativo, deduzido da inflação, o que vimos foi um movimento de investidores dispostos a aceitar algum risco, migrando suas aplicações para fundos multimercado, que oferece mais flexibilidade, podendo operar em diferentes mercados, desde ativos de renda fixa até renda variável, por exemplo”, explica Talita Raupp, gestora de produto Icatu.

Quais as vantagens dos fundos de investimento?

Antes, confira mais dois movimentos observados.

Procura por produtos financeiros mais sofisticados  

Em abril, com o Ibovespa, principal índice da bolsa, registrando queda acumulada de 40%, anuncia-se um pico de CPFs cadastrados como investidores na Bolsa Brasileira chegando a 2,2 milhões, um crescimento de 30% em relação a 2019.

A crise e o acesso fácil e gratuito a informações de qualidade sobre educação financeira, reforçam uma tendência pela busca de ativos mais sofisticados, de maior risco e volatilidade.

Crédito Privado


Os fundos de crédito privado entram nesse balanço em razão de terem se tornado um caso emblemático da falta de esclarecimento sobre risco e volatilidade. Entre os fundos de renda fixa, os de crédito privado, tiveram o pior retorno no primeiro semestre.

Talita esclarece que, a partir de outubro de 2019, os ativos de crédito sofreram com o movimento técnico de reprecificação, ajustando os preços para baixo. E, com a crise do novo corona vírus, mais uma vez esses ativos, que antes eram vistos como “reloginho”, pelo seu histórico de gerar ganhos acima do CDI de forma consistente, passaram a ser questionados pela queda de rentabilidade.

Adicionalmente, dado o novo contexto de juros, os gestores estão mudando a referência de rentabilidade. Um fundo que persegue um percentual do CDI, com essa taxa próxima de zero, significa ganhos pífios.

Desta forma, os ativos e fundos de crédito privado deverão atrelar cada vez mais sua remuneração ao CDI+ (CDI somado a um percentual). Além disso, após a crise, mais do que nunca será importante escolher fundos de crédito que possuem o risco adequado a sua política de investimentos e que avalie criteriosamente o risco e o retorno dos títulos. Não é porque ativos de crédito a priori possuem baixa volatilidade que isso significa que o risco também é baixo.

O que são fundos de investimento?


Chegou o momento de trazemos alguns conceitos principais sobre fundos de investimento. Vai ficar mais claro a razão pela qual este ativo ganhou espaço e atraiu o interesse de mais investidores.

Os fundos são formados por diversos produtos do mercado financeiro. Pode-se encontrar fundos de ações, de renda fixa, de títulos públicos, multimercado, títulos cambiais, derivativos, entre outros. É uma forma simples de diversificar aplicações e diluir o risco.

Além disso é um investimento coletivo administrado por um especialista do mercado. Quando investimos em um fundo compramos uma cota e deixamos a cargo de um gestor a administração de todos os ativos deste fundo respeitando as diretrizes estratégicas e a política de risco pré-definidas.

Existem 4 principais tipos de fundos:

  • Fundos de ações: possuem mínimo de 67% dos ativos em ações e não tem come- cotas.
  • Fundos de renda fixa: possuem menor risco, mas não são isentos dos mesmos.
  • Fundos cambiais: investem em ativos atrelados a moedas estrangeiras.
  • Fundos multimercado: carteiras podem ser compostas por qualquer ativo financeiro, seja de renda fixa ou variável.

Você pode saber mais sobre fundos de investimento neste blog. Confira!

O que são fundos multimercado e como funcionam?
Quais são os tipos de fundo de previdência e como são classificados?

Melhores fundos


O ranking dos 10 melhores fundos de investimento da Icatu comprova como, nesse cenário de crise, os fundos multimercados têm potencial para apresentar as melhores performances.


*ranking não considera fundos exclusivos e/ou exclusivos de parcerias, somente os oferecidos na grade

“70% dos nossos fundos que apresentaram melhor performance nesses primeiros 6 meses do ano são multimercado, segundo classificação CVM. Como esse tipo de estratégia permite ao fundo compor a carteira com diferentes tipos de ativo, em momentos de crise, o gestor trabalha com essa diversidade de possibilidades em seu favor. Os movimentos de sucesso no portfólio devem, por exemplo, ter tirado proveito de ativos que chamamos “porto seguro” como ouro e dólar, preservando o patrimônio. Já os fundos de renda fixa, de forma geral, conseguem manobrar apostando em ativos que são mais previsíveis, oferecerem menor risco e estão menos vulneráveis a oscilações” – exemplifica Talita.

Recomendações 

Estamos num estágio onde os governos, o comércio e a sociedade começam a ensaiar um retorno a uma rotina que foi carimbada de “novo normal”, visto que ainda vai exigir procedimentos de distanciamento e higiene antes não adotados. Mas como reforça Talita, “o momento ainda é de grande incerteza e não é possível saber se as economias vão reagir de forma orgânica ou se teremos reviravoltas e em que proporção. Também não podemos ignorar que, por um período adiante, ainda teremos que lidar com o legado da crise”.

Independe do perfil do investidor três aprendizados se destacam: 

  • a importância de se ter uma reserva de emergência, 
  • as vantagens de se diversificar e
  • a importância de se entender os riscos reais de uma aplicação. 
Cenário instável não pode ter desespero! 

A crise provocada pela estagnação das atividades econômicas e o reflexo no mercado financeiro levou investidores ao pânico e mesmo a atitudes irracionais. Reagir por impulso ou paralisar completamente são atitudes perigosas. Situações como esta exigem calma e cautela na tomada de decisão com reflexões que tenham horizonte de longo prazo. A economia funciona em ciclos e haverá o momento da recuperação. A crise vai passar.

O que fazer para os próximos meses? 

O desafio de seguir a jornada num cenário incerto vai exigir análises criteriosas, calma e resiliência. Talita reforça que teremos economias em recessão, sem a garantia de uma recuperação sustentável. Por isso a cautela na decisão em aumentar a exposição ao risco ou não.

Talita aponta alguns caminhos interessantes para cada perfil de investidor. Diversificação é a palavra-chave. Para os conservadores, sugere uma parte dos investimentos em fundo multimercado com pouca volatilidade, uma parte em renda fixa e propõe apostar num fundo que opera mercados fora do país. 

Ela lembra que recentemente a SUSEP alterou a legislação de forma que os participantes de planos de previdência passam a ter acesso a um percentual maior em investimentos sujeitos à variação cambial. Para um fundo proponente varejo, esse percentual saiu de 10% para 20%, e no caso dos fundos qualificados, passa a ser 40%.

Para o perfil moderado, o percentual em estratégias mais voláteis deve ser maior, incluindo aí fundos de ações e multimercados. Fundo de ações long biased compõem bem esse portfólio, dado seu risco, menor do que o de ações long only, mas maior do que fundos de renda fixa. E consequentemente, para os mais ousados, o mix pode contar com uma concentração maior em títulos públicos de mais longo prazo e fundos de ações long only. Multimercados, pela sua flexibilidade, sempre compõem bem todos os estilos de portfólio, o importante é avaliar o perfil do fundo e se a volatilidade está aderente ao seu apetite ao risco. 

Aproveite este panorama para refletir sobre seus investimentos, sempre considerando sua situação financeira e seu perfil de investidor. Em caso de dúvidas ou necessidade de mais informações, entre em contato com nossos especialistas. 

Publicado por Paula Lopes

Paula Lopes possui mais de 12 anos de experiência em curadoria e produção de conteúdo, gestão de canais, implantação de plataformas digitais, campanhas de engajamento e eventos motivacionais para o público interno de empresas de diferentes segmentos e portes.

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