Como manter a previdência privada durante uma crise financeira?

Por Diana Dantas

Em muitos momentos da vida há a necessidade de apertar os gastos. Seja por conta da perda do emprego, de uma mudança de salário ou do surgimento de uma despesa inesperada. A receita de bolo para economizar é clássica: revisar as contas, cortar os supérfluos e substituir os produtos/serviços mais caros pelos mais baratos.

Quem tem uma previdência privada, durante esses momentos, se encontra em um dilema. Ela é imprescindível para a subsistência agora? Provavelmente, a resposta será não. Mas e para o meu futuro? A conclusão é sim. O que fazer, cortar ou não cortar? Esse momento é sempre delicado. Por isso, vamos dar algumas dicas sobre como gerir o investimento durante um período de crise.

Reduzindo gastos com a previdência

Primeiro, não existe dívida na previdência privada. Isto é, caso não seja possível contribuir neste mês, pode-se deixar para o próximo ou para quando for viável, sem a necessidade de precisar resgatar o dinheiro. Essa é a opção ideal aos que precisam cortar gastos de forma radical. Suspender o pagamento, mas deixar a aplicação render.

Já aqueles que necessitam reduzir, apenas de maneira moderada, possuem outras opções, como diminuir o aporte mensal. A maioria das previdências privadas estipulam, no entanto, um valor mínimo, que varia de fundo para fundo. Uma pessoa, por exemplo, pode passar a pagar R$ 70, por mês, em vez dos R$ 200 usuais. Porém, se esse montante ainda for pesado, não é permitido aplicar somente R$ 10. Ou é zero ou R$ 70. Nos dois caminhos citados nos parágrafos acima, contudo, recomenda-se voltar a depositar a soma original assim que possível, com o objetivo de não prejudicar os rendimentos a longo prazo.

Há ainda mais alternativas. Uma delas é migrar de operadora. Vale fazer uma pesquisa a fim de descobrir se não existem outras empresas que oferecem tarifas melhores. Ao pedir a portabilidade, o contratante pode ficar tranquilo em relação ao tempo de contribuição. O dinheiro é carimbado com a data. Se a aplicação já tem quatro anos, na nova instituição, ele entrará com o mesmo tempo.

Somente é liberado, entretanto, fazer a migração de uma tabela regressiva para uma progressiva – não o contrário; de um PGBL para outro PGBL; e de um VGBL para outro VGBL. Na hipótese de a pessoa desejar trocar de tabela ou de planos, recomenda-se cessar os pagamentos em um – sem necessidade de resgate, pois continua rendendo – e abrir um novo, mais vantajoso.

Pode ser a situação de um assinante do PGBL (indicado aos declarantes do formulário completo do Imposto de Renda) que perdeu o emprego e tornou-se isento, por exemplo. A essas pessoas ou àquelas que passam a declarar pelo formulário simples, aconselha-se sempre suspender a parcela no PGBL e abrir um VGBL. Isso porque, o IR, na hora do resgate, incide somente sobre o rendimento e não sobre o total aplicado.

Por último, também vale pensar em trocar a previdência para outro fundo, com resultados melhores ou com contribuição mínima mais em conta. Afinal, um produto que estava rendendo bem anos atrás pode não estar hoje. Fazer essa mudança, de tempos em tempos, é recomendado a todos os investidores, não só aos que estão passando por um momento difícil.

Com essas dicas, torna-se possível resolver os problemas financeiros atuais, de curto prazo, sem a necessidade de comprometer o amanhã.

Publicado por Diana Dantas

Formada pela PUC-Rio, Diana Dantas passou por diferentes redações, como O Estado de S. Paulo, Agora SP (Grupo Folha) e Brasil Econômico (Grupo Ejesa). Nesse período, trabalhou nas editorias de Educação, Cidades, Cultura e Economia. Desde de 2017, escreve para Icatu sobre seguros e planejamento financeiro.

Deixe seu comentário