Crise econômica: entenda como é gerada e de que forma proteger as finanças

Por Paula Lopes

O novo coronavírus está provocando um forte abalo na economia mundial, obrigando a sociedade a repensar suas práticas. Especialistas já afirmam que essa será a crise econômica mundial mais séria da história do capitalismo. Isso porque a pandemia está provocando a paralisação de algumas empresas e a consequente parada da produção.

Nesse cenário, em que precisamos, acima de tudo, ter calma e cautela, será que podemos fazer algo para defender nossas finanças? Sendo assim, vamos procurar entender melhor o momento atual e como cuidar do nosso dinheiro nessa hora incerta.  

Nesse artigo, entenda melhor o que é uma crise econômica, quais são seus fatores e como podemos proteger as finanças nesse período.

O que é crise econômica? 

É importante ressaltar que a economia é cíclica, ou seja, tem momentos de crescimento e momentos de queda na atividade econômica. É normal que haja crises econômicas, isso faz parte do sistema capitalista. O que muda são as razões que levam às crises, a intensidade delas e os setores que serão afetados.

Como as economias dos países estão cada vez mais dependentes, uma crise econômica de grandes proporções nessa conjuntura pode ter um efeito dominó perigoso. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) já avaliaram, em estudo, os impactos da COVID-19 na economia.  

Como ocorre uma crise econômica ?

Em uma crise, a atividade econômica diminui e uma coisa vai puxando a outra. A demanda por consumo diminui, assim como o lucro das empresas. E o que isso acarreta? Desemprego, pois muitas empresas não conseguem honrar com o pagamento de seus funcionários. Sem renda, as pessoas não conseguem consumir e a demanda desacelera

Para frear esse ciclo complicado, são necessárias políticas que impulsionem a economia outra vez – o sucesso das iniciativas vai determinar a intensidade da crise econômica e quanto tempo ela vai durar.  

Os tipos de crise econômica existentes 

Existem alguns tipos de crises econômicas que são formados por fatores diferentes. Entenda mais sobre eles!

A crise econômica de 1929 é uma das mais famosas da história mundial. Antes da crise estourar, os Estados Unidos da América despontavam como a maior economia do planeta, responsável pela produção de 42% de todas as mercadorias produzidas no mundo. O boom econômico deixou a sociedade americana eufórica e houve uma corrida para apostar no mercado financeiro.  

A prosperidade, porém, era ancorada em bases frágeis. O crédito sem controle e a especulação financeira criaram uma bolha financeira, que não demorou a explodir e a mergulhar o país no caos. Confira no site do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os impactos da crise de 1929 na economia brasileira. 

A crise de 29 ficou conhecida como a Grande Depressão, porque ela foi muito grave, diferente de uma recessão. Vamos descobrir, a seguir, a diferença entre ambas: 

Recessão econômica 

A recessão é uma crise econômica relativamente curta, caracterizada por retração na economia, aumento de desemprego e diminuição na taxa de lucro e investimentos

Sabemos que o país está em recessão quando há uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) por dois trimestres consecutivos. De acordo com projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pode haver uma queda no PIB brasileiro em 2020 por conta do impacto do Covid-19 na economia. Conheça a análise dos pesquisadores do instituto.  

Depressão econômica 

Já a depressão econômica acontece quando há um aprofundamento da recessão. São crises mais longas, com grande redução da atividade econômica, altas taxas de desemprego e queda da produção e dos investimentos. Normalmente, se considera uma depressão uma recessão que ultrapassa três ou quatro anos de duração, ou quando ocorre uma queda drástica no PIB.  

Os principais fatores que geram uma crise 

A taxa de juros é um dos sinais mais importantes do mercado. Ela é definida pelo nível de poupança da sociedade.

Quando as pessoas poupam, estão adiando o consumo para um período futuro – e, com isso, temos uma taxa de juros mais baixa. Nesse caso, há mais investimentos do que consumo, aumenta a estrutura de produção e a formação de capital.

Já quando as pessoas preferem satisfazer suas preferências no presente, a taxa de juros é mais alta. Veja como a queda da taxa de juros afeta a sociedade na hora de comprar, investir ou poupar.  

Quando o governo interfere nessa estrutura, reduzindo artificialmente os juros, ele provoca um descompasso, parece que há recursos sendo poupados para o futuro, quando na verdade, não há.

Os empresários começam a produzir pensando no longo prazo, e a demanda a curto prazo fica descoberta. A sociedade começa a consumir com base no crédito, e não na poupança. Isso provoca uma grande ilusão, como aconteceu na bolha imobiliária americana em 2008. 

Em determinado momento, a situação torna-se insustentável, as empresas e a população ficam cada vez mais endividadas, e as taxas de juros precisam ser revistas. É nessa hora que a economia entra em colapso.  

É preciso pensar em planos de recuperação para as empresas, e esse pode ser um processo longo e complexo. Quanto mais tempo isso demorar para surtir efeito, mais a economia demora para se recuperar, podendo provocar milhões de desempregos.  

E qual o impacto da crise na Bolsa de Valores? 

A Bolsa de Valores é uma organização que organiza e proporciona maior segurança para todo o mercado de ações.
Durante uma crise econômica, ela pode ser bastante impactada!

Nossa Bolsa de Valores tem mais de 120 anos de existência e é o centro de negociação de ações e contratos futuros no mercado financeiro.

É a Bolsa que organiza e dá mais segurança ao mercado de ações. Ela também realiza negociações de ativos como títulos de renda fixa, cotas de fundos de investimentos e contratos futuros, como os de moeda estrangeira.

Atualmente, a bolsa de valores de São Paulo é administrada pela B3, uma empresa fruto da fusão realizada, em 2017, entre as antigas BM&FBovespa e Cetip. Conheça a estrutura da B3. 

Diante dos eventos recentes e da crise econômica, a Bolsa de Valores sofreu um forte impacto, chegando a cair 11,65%. Pela primeira vez desde 2008, as operações foram interrompidas duas vezes no mesmo dia, no que é conhecido como circuitbreaker, o mecanismo de interrupção do mercado financeiro. Isso acontece para interromper o “efeito manada”, que marca momentos de incerteza como esse.  

É importante lembrar que as variações da Bolsa não impactam diretamente no caixa das empresas, já que as ações são negociadas entre investidores. Porém, essas perdas têm reflexo na economia real, uma vez que representam uma perda financeira para fundos e aqueles investidores que são pessoas físicas. Além disso, os bancos pisam no freio na hora de conceder crédito. Apesar do cenário incerto, é fundamental evitar o pânico e decisões precipitadas. 

Como proteger as suas finanças em uma crise econômica? 

Não existe uma maneira simples de lidar com esse momento turbulento. O importante é manter a serenidade e pensar de forma racional, principalmente quando o assunto é proteger as finanças. 

1- Repense seus hábitos

Na hora da crise econômica, repense seus hábitos. Avalie todos os gastos, corte o que não for essencial. Economizando, você pode até mesmo investir, mesmo que pouco, e ter uma reserva para emergência, o que é essencial. Saiba como sair de uma crise financeira com planejamento.  

2- Reavalie seus ativos

Para quem tem investimentos, é importante fazer uma reavaliação financeira de todos os ativos, começando pelos mais arriscados. Será que vale realmente mantê-los, ou é melhor se desfazer antes que eles comecem a desvalorizar? Por outro lado, a crise econômica também traz oportunidades no mercado. Por isso, é importante ter um gestor de confiança que ajude os investidores nesse momento.  

3- Mantenha sua Previdência Privada

Especificamente para quem tem previdência privada, a dica é mantê-la, até porque ela deve ser pensada para o longo prazo. Veja as orientações do economista George Wachsmann sobre o assunto em live promovida pela Icatu. Mestre pela Universidade de Stanford, ele é sócio-fundador e Cio da Vitreo. Junto com a Icatu Seguros, a empresa criou o FoFSuperPrevidência, o primeiro fundo de fundos de previdência. 

Esperamos que este artigo tenha colaborado para trazer mais esclarecimentos. Mais do que nunca, devemos manter a resiliência e a serenidade para enfrentar esse momento de crise econômica mundial. 

Confira também, no vídeo abaixo, o cenário econômico atual e como ele impacta o índice Ibovespa:

Publicado por Paula Lopes

Paula Lopes possui mais de 12 anos de experiência em curadoria e produção de conteúdo, gestão de canais, implantação de plataformas digitais, campanhas de engajamento e eventos motivacionais para o público interno de empresas de diferentes segmentos e portes.

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