Como a guerra na Ucrânia pode impactar seus investimentos? - Blog Icatu Seguros

Como a guerra na Ucrânia pode impactar seus investimentos?

Como a guerra na Ucrânia pode impactar seus investimentos?

Por blogicatu

O conflito na Europa pode elevar a inflação? E como fica o dólar? Para saber como a guerra pode impactar seus investimentos e os principais indicadores econômicos, entrevistamos dois gestores de fundos de previdência multimercado.

A guerra na Ucrânia e os seus investimentos

Desde o dia 24 de fevereiro, quando as tropas russas invadiram a Ucrânia, temos assistido a uma adoção de sanções econômicas sem precedentes. É assim que a União Europeia, os Estados Unidos e outros países têm atuado de forma indireta no conflito.

Os reflexos dessas sanções, que começam a ser adotadas também pela Rússia, podem impactar a economia brasileira e os nossos investimentos.

Para falar sobre esses possíveis impactos, Talita Raupp, da equipe de Previdência da Icatu, entrevistou em nosso canal no YouTube dois gestores de fundos multimercado com foco em investimento global: Bruno Cordeiro, da Kapitalo Investimentos, e Sergio Zanini, da Galapagos Capital.

CONFIRA AGORA OS PRINCIPAIS TRECHOS DA LIVE E DEPOIS ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA NO YOUTUBE.

A guerra na Ucrânia pode pressionar os preços, causando mais inflação?

Para Zanini, da Galapagos, sim: “O primeiro impacto e o mais óbvio para o Brasil é a questão inflacionária. Através, principalmente, da alta do preço do petróleo, da energia e das commodities agrícolas”.

Com o choque de oferta e em um ambiente de restrição, explicou Zanini, é comum que os preços subam muito. 

Ele também lembrou que o Brasil e o mundo já vinham passando por um período de inflação alta, fenômeno que teve início por causa da pandemia.

Na manhã em que a nossa live foi transmitida, a Petrobras anunciou um reajuste nos preços de gasolina (de 18,8%) e do diesel (24,9%). O aumento deixou os consumidores preocupados.

Por que essas sanções adotadas contra a Rússia podem impactar a economia de vários países?

Primeiro, porque vivemos em um mundo globalizado. Os países são dependentes uns dos outros economicamente. 

“A economia russa é pequena, mas o problema é que a Rússia é exportadora de várias commodities. Se esse conflito durar muito tempo, e esse programa de sanções continuar, essas commodities vão subir de preço”, avaliou Cordeiro, da Kapitalo.

Recentemente, a Rússia limitou suas exportações de açúcar e grãos como trigo, centeio, cevada e milho para vários países.

“Na Europa, na década de 90, havia a esperança de que se você se conectasse com a Rússia economicamente, você não teria mais problemas políticos. Mas o que aconteceu foi uma dependência enorme de commodities vindas da Rússia, como o caso do gás com a Alemanha. Agora, a ideia de que você se conecta a outro país economicamente se transformou em uma arapuca. A Rússia está usando essa alavancagem para pressionar a Europa”, explicou Cordeiro.

Como fica o dólar com o conflito?

Enquanto parte do mercado prevê que o dólar continue caindo, outra parte não acredita que a valorização do real continue nas próximas semanas.

É o caso de Zanini: “A gente tem um pouco de dúvida se o dólar continua caindo muito mais. Achamos que o processo de redução de estímulos, de aperto monetário do FED, provavelmente vai ser maior do que o mercado imagina. Isso em algum momento acaba pressionando o dólar”.

No dia 16 de março, o banco central americano elevou a taxa de juros para 0,25%, uma medida para diminuir a inflação nos Estados Unidos, hoje em seu maior nível em 40 anos. Foi a primeira alta desde 2018.

E os juros no Brasil? A taxa Selic pode continuar subindo?

“A Selic pode ir para 13%, 13,25%. A gente não está tão focado nesse valor final. Na verdade, o que vai impactar mais os mercados e a economia é por quanto tempo essa taxa vai ficar nesse patamar”, avaliou Zanini.

Nos últimos meses, nosso Banco Central vem aumentando a taxa Selic. Também no dia 16 de março, assim como fez o FED, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou os juros básicos, desta vez para 11,75% ao ano.

Os juros cada vez maiores tendem a continuar favorecendo o Brasil no radar de investidores do exterior que estão em busca de oportunidades em mercados emergentes. “Fazia muitos anos que os estrangeiros não se posicionavam no Brasil”, lembrou Zanini.

O cenário é bem diferente do vivido pela Rússia, que tem visto dezenas de empresas estrangeiras saindo do país desde que a guerra começou.

“A Rússia muito provavelmente não vai receber recursos de investidores internacionais tão cedo. Perdemos o R dos BRICs”, completou.

Além dos investimentos estrangeiros, também está no radar da gestora o papel que nós temos como grandes exportadores de matérias-primas. “A gente acredita em uma demanda de médio e longo prazo de commodities que vai acabar ajudando o Brasil.”

Os fundos multimercado e o cenário econômico

Durante a entrevista, os dois gestores também falaram sobre seus fundos de previdência privada multimercado. Cordeiro destacou que o cenário, de aumento de taxas de juros, é favorável para o cliente: “Quando a Selic sobe, a classe de multimercados provavelmente vai ter retornos nominais mais altos do que quando a Selic cai.”

As duas gestoras são parceiras da Icatu e oferecem aos nossos clientes fundos de previdência privada. O Kapitalo K10 Global Icatu, de Cordeiro, é um multimercado que pode investir em juros, moedas, commodities e bolsa no Brasil e no exterior.

“Estar em um fundo multimercado lhe dá essa flexibilidade de estar participando de investimentos em vários mercados, e de evitar situações ruins de curto prazo. Vale muito a pena você buscar alternativas com um pouco mais de risco para ter retornos mais expressivos de longo prazo”, salientou.

Já o Galapagos Icatu Darwin Previdência Global é semelhante ao fundo da Kapitalo: investe em uma cesta diversificada de ativos do mundo todo.

“Nosso trabalho é gerar ganhos acima do CDI”, disse Zanini, que continuou: “Além de oferecer essa rentabilidade, esse ponto de partida a partir do CDI, a gente traz o fator diversificação, que é importante porque, no longo prazo, a tendência é o mercado global impactar o local. Um exemplo clássico é esse fluxo estrangeiro todo que veio para o Brasil no começo do ano”.

Com uma série de ativos globais na carteira do fundo de previdência Galapagos Icatu Darwin Previdência, Zanini destacou que alguma dose de risco é importante para quem investe no longo prazo. “Faz cada vez mais sentido o poupador ter exposição a produtos que tenham mais volatilidade, que tenham viés macro global. E que tenham obrigação de tentar acertar quando o mercado estiver para cima ou para baixo. Não estamos aqui para bater o CDI, mas para gerar retorno positivo.”

Assista à entrevista completa no YouTube.

Publicado por blogicatu

Deixe seu comentário

-->