O cenário econômico, hoje e amanhã - Blog Icatu Seguros

O cenário econômico, hoje e amanhã

Por blogicatu

Inflação, dólar, taxa Selic. Os principais indicadores econômicos nos dão algumas certezas. Entre elas, a de que os próximos meses serão desafiadores para a economia brasileira, sobretudo porque em 2022 teremos um ano eleitoral com a promessa de uma disputa polarizada. 

Confira uma seleção da análise que Victoria Werneck, economista-chefe da Icatu, fez durante o Panorama Econômico. 

Vacinação

Desde o início deste ano, um novo indicador começou a frequentar os cadernos de economia dos jornais: os números da vacinação contra a Covid-19. 

No país e em todo o mundo, bilhões de pessoas já foram imunizadas, permitindo que os números de internações e óbitos caíssem, e que as restrições que afetam negativamente a economia sejam deixadas de lado aos poucos. 

O Brasil está muito melhor do que os Estados Unidos hoje em dia. Lá, não é porque falta vacina, é porque as pessoas não querem se vacinar, sobretudo os trumpistas. Então, de fato, eles não conseguiram conter uma terceira onda.

Enquanto avançamos na vacinação, os Estados Unidos parecem ter estagnado. Hoje, cerca de 57% da população americana está completamente vacinada. Em alguns estados, como a Geórgia e o Tennessee, esse percentual nem sequer chega a 50%.

Eleições presidenciais

Bolsonaro e Lula continuam sendo os candidatos com o maior número de intenções de voto, segundo as pesquisas. E, até agora, nenhum nome da chamada terceira via cresceu o suficiente para ameaçar a disputa entre os dois. 

“Essa polarização para as eleições do ano que vem está trazendo extrema incerteza e volatilidade para os ativos no Brasil”, explicou Victoria. 

Desemprego

Se no Brasil a taxa de desemprego continua alta, em 13,7%, nos Estados Unidos as coisas já voltaram ao “velho normal”. Os números estão bem próximos aos do início de 2020, antes do começo da pandemia, mostrou Victoria: “Estamos como se nada tivesse acontecido. Houve um pico de desemprego em abril de 2020, que alcançou 14,8%, e daí ele caiu sistematicamente até um ponto em que a economia americana encontra-se praticamente em pleno emprego”.

Inflação

Se há um indicador financeiro que marcou 2021, é a inflação. Para Victoria, as sucessivas quedas da Selic – em 2020, a taxa encerrou o ano em 2% – também são culpadas pela alta de preços. “Nada que o Banco Central faça vai poder resolver o problema de 2021. Ficamos tempo demais com uma taxa de juros extremamente baixa”, avaliou. 

Segundo ela, hoje o problema é o ritmo lento de elevação da Selic a cada reunião do Copom: “Com a demora do Banco Central em começar a subir os juros, o próprio Banco Central está sendo surpreendido pela inflação, que está saindo do controle, já em dois dígitos. Eles não só demoraram a começar a subir a Selic, como começaram a fazer isso de uma forma bastante comedida. Pensaram que um ponto percentual por mês era suficiente. Não vai ser”.

Embora exista preocupação generalizada com o aumento de preços, são as famílias de baixa renda que mais têm sofrido. “Para as pessoas mais pobres, é pior ainda, e chamam a atenção aqui dados específicos: pessoas mais pobres gastam a maior parte da renda em alimentação. E a subida de preço da alimentação, dentro do IPCA nos últimos 12 meses, foi 14,66%.”

Nossa economista-chefe chegou a analisar a alta dos preços de três principais itens da cesta básica: enquanto o arroz subiu 11,37% em 12 meses, o feijão teve alta de 10,74%. Já uma carne de segunda, como o acém, aumentou 28,85%. “É evidente que esses 17 milhões de pessoas que estão na faixa mais pobre da população estão sofrendo à beça”, lamentou. 

Para Victoria, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar este ano em 8,75%. Em 2022, justamente por conta dos efeitos da elevação da Selic, Victoria prevê que conseguiremos levar a inflação para 4,20%. 

Selic

Diante desse cenário, Victoria acredita que a Selic vai encerrar o ano em 8,75%. Em 2022, a taxa básica de juros deve estar em 9,25% ao ano, segundo suas projeções. “E pode ser que não seja suficiente”, alertou. É que a inflação pode exigir do Banco Central uma dose maior de elevação dos juros. 

Ela lembrou que, mesmo que a Selic chegue ao fim de 2021 em 8,75%, tendo em vista sua trajetória no ano, a média ficará em 4,46%. Com uma inflação de 8,75%, teremos mais um período de juros reais negativos. 

Taxa de juros e aposentadoria

Outro ponto que chamou a atenção durante a live foi a análise que Victoria fez da taxa Selic ao longo dos últimos 30 anos. 

Entre 1991 e 1993, a taxa de juros real no Brasil era de 22,64% ao ano. Entre 1994 e 1998, nos primeiros quatro anos do Plano Real, era de 21,93%. “Ou seja, nessa época, qualquer valor que você acumulava para a sua aposentadoria duplicava em quatro anos praticamente. Então, o esforço de poupança naquela época era muito menor do que o esforço que tem que ser feito hoje com as taxas de juros que estamos vendo”, explicou. 

Em 2020, por exemplo, a taxa de juros foi negativa porque a inflação foi maior que a Selic média no ano, uma vez que o Banco Central reduziu a taxa básica de juros para 2% – e a inflação foi de 4,52%. 

Nos últimos doze meses até setembro, a taxa de juros foi negativa em 6,58%. “Se a gente junta isso ao fato de que a bolsa também está despencando, então as nossas poupanças, em termos reais, estão apertadíssimas – o que a gente poupou, acumulou.”

Produção industrial

Indicador importante, a produção industrial no Brasil vem caindo em relação ao mês anterior todos os meses, desde janeiro. Parte do problema, explicou nossa economista-chefe, se deve à falta de componentes, de insumos. “Por exemplo, os cartões de crédito de algumas lojas estão sendo entregues com prazo de 90 dias porque faltam chips de cartão.”

Já o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, mostra que a atividade econômica, após uma recuperação em V, está estagnada nos últimos meses.

“O que a gente tem como resultado? A confiança do empresário da indústria, que chegou a um patamar de 63,2% em agosto, caiu em setembro e em outubro também. Não é só por conta de falta de componentes. Isso é por todo o cenário político complicado que a gente está enfrentando. E a questão fiscal não resolvida”, avaliou Victoria. 

PIB

Inflação e contas públicas saindo do controle mudaram completamente o cenário no Brasil para o ano que vem, destacou. “Não é que o PIB não vai crescer, mas vai crescer muito menos do que esperávamos.” 

Este ano, ela espera que o Produto Interno Bruto avance 5,16%. Em 2022, não devemos passar de 1,85%, com possibilidade de revisão para baixo ao longo dos próximos meses.

Seu pessimismo com a economia brasileira cresceu nos últimos dias, sobretudo depois das ameaças ao teto de gastos, que para ela parecia até então sagrado: “O que mais me surpreendeu foi o aumento brutal da fragilidade fiscal”.

E continuou: “O que parece que vai ocorrer, e com anuência do ministro da Economia, é que vamos furar o teto de gastos ano que vem.” De fato, infelizmente, depois da Live, se concretizou a “pedalada fiscal”, que permitiu “furar” o teto de gastos.

Apesar desses indicadores preocupantes, ela acredita que conquistas históricas, como o controle da inflação, serão defendidas pelo povo. “O Brasil está no meio de um turbilhão. Não estou vendo um crescimento sistemático de 4% ao ano no PIB, mas também não estou conseguindo ver algo que degringole completamente, porque o povo não vai aceitar. Uma inflação de 10,25%, indo para 15%, para 20%, não vai ser aceita.”

Live: Panorama Econômico com Victoria Werneck

Assista à live completa:

Publicado por blogicatu

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