Quem é você na hora de investir? - Blog Icatu Seguros

Quem é você na hora de investir?

Por blogicatu

Em live no Youtube, o professor de finanças Rafael Paschoarelli explica as possibilidades de montar uma carteira de investimentos de acordo com cada perfil de investidor.

“O homem é menos ele mesmo quando fala de sua própria pessoa. Dê-lhe uma máscara e ele lhe dirá a verdade.” A frase, citada pelo nosso entrevistado durante mais uma live no YouTube, é do inglês Oscar Wilde. O escritor talvez não fosse um expert no mercado financeiro, mas resumiu bem o quanto é difícil para uma pessoa saber qual seu perfil de investidor: conservador, moderado, arrojado ou agressivo?

Afinal de contas, muita gente se acha bem arrojada quando o Ibovespa está batendo recordes, como lembrou o professor de finanças Rafael Paschoarelli, durante a entrevista conduzida Marcos Botler e Leanderson Fernandes, da equipe de Produtos e Previdência da Icatu: “Quando a bolsa está subindo, e está todo mundo alegre, os investidores tendem a se classificarem em perfis que não são os deles, porque é só alegria. Se eu fizer uma pergunta para o investidor, as pessoas provavelmente não vão dar a resposta correta.”

Mas e se seguirmos o conselho de Oscar Wilde, e usar um artifício para ajudar as pessoas a se conhecerem? Essa é exatamente a recomendação de Rafael. “Você precisa perguntar de forma indireta para descobrir o verdadeiro perfil do investidor: ‘Se você fez um investimento, e ele caiu 5%, 10%, você vai ficar muito preocupado, vai achar que é hora de sair ou de comprar mais?’ A partir de umas 10, 15, 20 perguntas, você começa a determinar que provavelmente essa pessoa tem o perfil tal”, explicou. 

Durante o Conversa de Especialista, Rafael contou que é nos momentos de vaivém do mercado que podemos entender qual é o nosso perfil. Por exemplo, os meses de março e abril do ano passado, quando a bolsa sofreu forte volatilidade, mostraram a muitas pessoas que o mercado de ações não é para todos. 

“Existe investidor mais tolerante ao risco, e investidor mais avesso ao risco. Quando a bolsa cai ou os juros sobem, aí ele começa a reavaliar qual é o verdadeiro perfil dele. Se você não consegue dormir por causa de perdas, certamente você não é um investidor arrojado”, observou. 

Na conversa, Rafael lembrou que, antes de comprar um produto, as instituições financeiras geralmente submetem os clientes a um questionário, o API (Análise de Perfil de Investidor). A ferramenta é um importante instrumento para ajudar as pessoas a escolherem o fundo ou ativo mais alinhado ao seu perfil, lembrou o professor: “Só depois que você tem o perfil do investidor é que a carteiras podem ser sugeridas.”

Investir ou não por conta própria?

O mercado financeiro, sobretudo o de ações, está repleto de pessoas que preferem investir sozinhas, em comparação com a opção de aplicar em um fundo de investimento.

Para esses investidores, Rafael deu um recado: “Você precisa investir em fundos que fazem coisas que você não consegue fazer. Se eu quiser comprar um papel exótico, talvez eu não tenha nem dinheiro ou nem saiba onde comprar. Mas uma LFT, sei que posso comprar no Tesouro Direto”, explicou. 

Existem outros critérios que precisam ser avaliados, como o pagamento de impostos: “Quando você compra ações sozinho, tem de pagar o DAF. O que não acontece com um fundo, que pode reinvestir esse imposto que já é devido, mas que o investidor só precisa pagar a cada seis meses, com o come-cotas ou quando vender o investimento.”

“Come-cotas” é o apelido que se dá para a antecipação do recolhimento do Imposto de Renda que incide sobre fundos de renda fixa, multimercados, ouro, crédito privado e cambiais, sempre nos últimos dias dos meses de maio e novembro.

“O fundo tem a vantagem de fazer você ganhar dinheiro sobre um imposto que você deve, mas não pagou ainda”, completou Rafael. 

Outro aspecto importante que deve ser observado por quem pretende investir ou já investe sozinho é o spread, que é a diferença entre o que um ativo paga para pessoas físicas, em comparação com o que é pago para uma instituição financeira.

“No caso de títulos públicos ou ações, eu não vou ‘tomar’ spread por ser pequeno, por não ser empresa. Mas para um CRI, CRA e debêntures, a pessoa vai pagar spread”, alertou. 

O CRI é um investimento que financia transações do mercado imobiliário e o CRA, do agronegócio. Já as debêntures são títulos de crédito emitidos por empresas.

Busque quem entende

Por último, Rafael ressaltou que o que pode fazer a diferença entre investir por conta própria e buscar um fundo é o conhecimento: “O nível de informação de um gestor é maior que o meu. Ele tem a capacidade que você não tem. É melhor você ter 80% de um grande ganho do que 100% do seu resultado pífio.”

Para quem prefere a comodidade de escolher um gestor, Rafael deu algumas dicas. “Gosto de saber qual é o passivo de um fundo, ou seja, quem investe nele. Vamos supor que eu consigo descobrir quem são as pessoas físicas que investem. Aí, eu descubro que o maior investidor de um fundo é o meu cunhado: não vou comprar”, brincou. 

No bate-papo, o professor contou que acompanha o mercado para se informar sobre quem está investindo onde. “Dá para saber quando um fundo recebe alocação de outro fundo. E quem é o gestor que está investindo.”

Seleção natural
Outro fator a ser considerado na hora da escolha do produto é sua longevidade. “Você tinha uma grande quantidade de fundos há 10, 15 anos. Hoje, a quantidade de fundos ‘vivos’ é a mesma de ‘mortos’. Então, o simples fato de a gestora ser independente e o fundo ser longevo já me diz que o fundo é bom. Porque, se fosse ruim, ele já teria sido descontinuado”, afirmou Rafael. 

Dicas para conservadores

Em meio a taxa básica de juros baixa – a Selic hoje está em 4,25% ao ano e o IPCA, alto –, investidores avessos a risco se perguntam se o preço a pagar pela segurança é perder para a inflação. 

Nosso entrevistado explicou que pelo menos aquele dinheiro que guardamos para usar em momentos de desemprego ou queda brusca de renda precisa estar alocado em ativos sem muito risco e com alta liquidez. 

“A sua reserva de emergência tem de estar indexada à Selic e ao CDI. E ela tem que estar prontamente disponível, ainda que se perca para a inflação. Isso é para quem depende dessa reserva de emergência.”

Na hora de investir

Durante a live, Rafael também analisou a lâmina de um dos nossos fundos, para explicar o que é preciso observar antes de escolher um produto, de acordo com seu perfil de investidor. 

“Para vocês que querem selecionar fundos e estão preocupados com aspectos de risco, verifiquem a volatilidade anualizada. Um fundo com uma volatilidade baixa está na casa do 1% ou menos: 7% não é baixa, mas é muito comum em multimercado.”

Medida de risco que mostra quanto o preço de um ativo variou ao longo do tempo, a volatilidade do Ibovespa é em média de cerca de 20% ao ano. Em 2020, por causa da crise causada pela pandemia, o índice teve a maior volatilidade desde 2008, quando aconteceu a crise imobiliária norte-americana.

Se o sobe e desce passado de um ativo é um termômetro importante, os períodos de queda relevante e recuperação também são, lembrou Rafael. “Existem dois indicadores que quase ninguém menciona, mas que são ótimos: primeiro, o drawdown. E o segundo, que é o tempo de recuperação desse drawdown. Quanto depois de ter caído o fundo levou para se recuperar? Se o fundo cai rápido e volta rápido, menos mal. Agora, se cai rápido, mas demora a se recuperar, você tira suas próprias conclusões…”

O drawdown é aquela “curva para baixo” que os gráficos fazem, geralmente durante grandes crises. “O investidor que só sabe fazer o A, E, I, O, U só vê o retorno. O investidor que sabe o alfabeto inteiro olha risco e retorno. Já quem sabe articular palavras através das letras olha o drawdown, que é a queda em relação ao pico em termos percentuais, e o tempo de recuperação.”

Diversificar é preciso

Independentemente do perfil do investidor, uma dica serve para todos, dos conservadores aos fãs de ações e ativos com maior risco: diversifique. 

“Muitas vezes, eu escuto: ‘Diversificação é para quem não sabe o que está fazendo.’ Que seja. Admita e diversifique. Você não tem o controle de todas as variáveis. Diversificar é mandatório. Não se deixe levar por quem diz: ‘All in’, ‘arrisque mesmo’. Não faça isso”, alertou o professor.

Quer conhecer outros conselhos de Rafael Paschoarelli? Assista à live completa: 

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Publicado por blogicatu

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