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Um retrato do investidor brasileiro

Por blogicatu

A pandemia mudou muito dos nossos hábitos. Até na forma como lidamos com o dinheiro. Foi o que observou a quarta edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, lançada em julho. 

O estudo, encomendado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e feito pelo Datafolha em todo o país, ouviu 3.408 pessoas das classes A, B e C, em novembro e dezembro do ano passado – todas economicamente ativas, aposentadas ou que vivem de renda. A renda familiar média dos entrevistados era de R$ 5.100.

Menos investidores

O ano de 2020 marcou o aumento da desigualdade social e também dos investimentos. As classes A e B aceleraram suas aplicações; e a classe C não só interrompeu o hábito de poupar como aumentou seu endividamento. No fim das contas, caiu o número de brasileiros que faz investimentos, o que não ocorria desde o primeiro ano em que a pesquisa foi feita, em 2017. 

Em 2019, 44% dos entrevistados se declaravam investidores. Já em 2020, esse percentual foi de 40%. Segundo a metodologia do levantamento, foi considerado investidor a pessoa com algum dinheiro aplicado em produtos financeiros, mesmo que o investimento não tenha sido feito no ano da pesquisa. 

Certamente a perda do emprego e da renda foram as principais responsáveis por essa redução. O estudo mostrou que 55% dos participantes viram seus rendimentos minguarem no ano passado. A perda foi parcial para 45% dos entrevistados, e total para 10%. Já para os 45% restantes, não houve alteração. 

Entre as classes sociais, a C foi a mais atingida pela queda na renda: 58% do total, seguida da classe B (52%) e da classe A (43%). 

O retrato é semelhante quanto ao emprego: 37% dos que afirmam terem ficado desempregados ano passado estão na classe C. Na classe B estão 22%, e na classe A, 13%.

Reserva de emergência

Assim como na fábula da formiga e da cigarra, em 2020 muita gente percebeu a importância de poupar recursos para os “tempos de inverno”. Com o aumento do desemprego e negócios fechados por causa dos lockdowns, quem tinha alguma reserva de emergência passou pelo período de quarentena melhor do que quem não tinha dinheiro guardado.

Em 2020, mais brasileiros passaram a poupar para ter uma reserva de emergência. Pela primeira vez, a maioria dos entrevistados (27%) disse que mantém dinheiro aplicado para usar em momentos de necessidade. No ano anterior, esse percentual era bem menor: 17%.

Já o desejo de comprar um imóvel caiu de 35% em 2019 para 26% em 2020. Será que parte dos brasileiros resolveu adotar o conceito de liquidez?

Economia involuntária

É possível que a criação de uma reserva de emergência tenha sido facilitada pela poupança forçada que algumas pessoas fizeram ao longo de 2020. Mais um reflexo da pandemia na mudança dos nossos hábitos financeiros.

Para 56% dos entrevistados pelo Datafolha, a impossibilidade de fazer viagens, frequentar festas e ir a bares e restaurantes foi responsável pela economia involuntária.

No ano anterior, 34% das pessoas apontaram a diminuição desses gastos como responsável por terem poupado dinheiro. Ou seja, se em 2019 cerca de 12 milhões de brasileiros economizaram cortando gastos, esse número saltou para mais de 20 milhões de pessoas no ano passado. 

Chama a atenção os 7% de entrevistados (ou 2,5 milhões de pessoas) que disseram que guardaram dinheiro porque “não tinham onde gastar”. 

Poupança em primeiro lugar

Mudanças de comportamento à parte, algumas coisas permanecem como sempre foram. Uma delas é a forma como investimos. A poupança continua sendo a opção preferida no Brasil. 

Vale lembrar que quando a pesquisa foi feita, entre novembro e dezembro de 2020, a taxa Selic estava no menor patamar da série histórica, em 2% ao ano. Ou seja, havia alguma atratividade na poupança em comparação com outras opções igualmente conservadoras.

Entre os participantes da pesquisa, 29% afirmaram que seus recursos estão investidos na popularíssima caderneta de poupança. Bem distante, em segundo lugar, estavam os fundos de investimento, com 5% da preferência – o mesmo percentual dos entrevistados que escolheram os títulos privados. E apesar do crescimento dos últimos anos, tanto as aplicações em títulos públicos (por meio do Tesouro Direto) quanto as ações ficaram em último lugar, com 3% das respostas. 

A novidade é que, apesar de preferida, pela primeira vez a poupança perdeu investidores para outras opções do mercado financeiro. A queda foi significativa: oito pontos percentuais em relação ao ano anterior, 2019.

O que pensamos sobre a aposentadoria

Além de continuar amando a poupança, os brasileiros ainda sonham em se aposentar antes dos 65 anos – e com uma vida melhor do que a que tinham enquanto trabalhavam. 

Segundo a pesquisa, queremos nos aposentar em média aos 60 anos. Quando esse momento chegar, a vida financeira será melhor segundo 46,2% dos entrevistados – certamente você também espera por isso. Já 32,2% acham que será pior, e 21,6%, igual.

Quanto às despesas futuras, tanto o percentual de pessoas que acham que elas vão aumentar na aposentadoria, 43,8%, quanto os que creem que vai diminuir, 38,1%, é semelhante. Já 18,2% dos entrevistados disseram que as despesas devem permanecer iguais às de hoje: nem mais boletos, nem menos boletos. 

Como será a renda na aposentadoria

Um percentual muito alto de participantes da pesquisa prevê que a sua renda na aposentadoria será garantida graças ao benefício do INSS: 48%. Mas isso não quer dizer que não poupamos para o futuro: 18% dos entrevistados afirmaram que as aplicações financeiras vão garantir seu sustento daqui a alguns anos.

Além disso, 9% disseram que a previdência privada será a responsável por sua renda depois que se aposentarem. 

Para 23% dos brasileiros, a renda virá do salário; 10% não sabem como será garantido seu sustento depois que saírem do mercado de trabalho, e 1% acha que dependerá da família ou dos filhos.

Na comparação com os anos anteriores, mais gente está contando com os investimentos ou o salário para se aposentar. Em compensação, menos pessoas esperam contar com os recursos da previdência pública. 

A pesquisa completa, que tem quase 40 páginas, está no site da Anbima. Lá estão números que mostram o raio X de um ano atípico, que mexeu com o nosso bolso e com a forma como nós lidamos com o dinheiro.

Leia a pesquisa completa aqui.

Publicado por blogicatu

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