A melhor arma contra o câncer é a informação - Blog Icatu Seguros

A melhor arma contra o câncer é a informação

Por blogicatu

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Trata-se de uma doença de evolução silenciosa, que pode nem apresentar sintomas. A boa notícia é que, quando detectado precocemente, a chance de cura é de mais de 90%, dependendo do tipo de tumor.

No mês da campanha de prevenção do câncer da próstata, Novembro Azul, convidamos dois especialistas para falar sobre o tema. Médico formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Leandro Bruno é membro da Sociedade Brasileira de Urologia (RJ) e da American Urological Association (AUA – Estados Unidos). Marcelo Dratcu é médico clínico formado pela EPM-Unifesp, especializado em Medicina Comportamental e pós graduado em Gestão de Sistemas de Saúde.

Desmistificando o câncer

O câncer de próstata é um dos 100 tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células, que podem invadir tecidos adjacentes ou órgãos a distância, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer). 

Dividindo-se rapidamente, essas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Segundo Leandro Bruno, diferentemente do que muita gente pensa, o câncer sempre existiu na humanidade. “O que ocorre é que hoje temos a capacidade de diagnosticar. Se não houvesse outras doenças, todos acabaríamos morrendo de câncer”, explica ele.

Prevenção

Embora não se trate de uma doença da vida moderna, fatores como poluição ambiental, alimentos ultraprocessados e obesidade podem aumentar os riscos de desenvolver o câncer, incluindo o de próstata.

Para Marcelo Dratcu, a prevenção inclui diversos fatores, como a adoção de um estilo de vida saudável na busca do bem-estar geral. “Atividade física, higiene do sono, controle do estresse e da ansiedade”, são as recomendações dele.

Membro do grupo Médico Assistencial de Obesidade, Risco Metabólico e Cardiovascular do HIAEinstein, Marcelo enfatiza a importância de uma alimentação balanceada, sem excesso de sal, gorduras e carboidratos refinados, como açúcar e farinha brancos.

“Há vegetais ricos em nutrientes e substancias antioxidantes que aparentemente ajudam na prevenção. Portanto, legumes, folhas, hortaliças e frutas devem ser ingeridos com frequência, a não ser que haja orientação diferente do médico ou nutricionista”, afirma.

Dois exames fundamentais

Outro cuidado indispensável no tratamento do câncer de próstata é a detecção precoce. Para isso, dois exames simples devem ser realizados em conjunto: o sanguíneo ou PSA (antígeno específico de próstata, em inglês) e o toque retal.

“Um exame não é mais importante do que o outro. Eles são complementares. Ao fazer um PSA, por exemplo, você pode estar diante de um câncer de próstata que não produz muito antígeno, mas é extremamente mais agressivo do que o outro. Essa é a importância de fazer também o toque retal, onde avaliamos o tamanho da próstata, a consistência e a existência de nódulo”, afirma Leandro.

Ele alerta também sobre a importância de fazer o exame com um especialista. “O urologista está mais capacitado para identificar alterações. Feito por um urologista, o toque tem uma sensibilidade de mais de 90%, maior que a de um profissional generalista (segundo estudos americanos) e que a da ultrassonografia transretal (somente 60%).”, diz.

A busca de um especialista é a garantia de tratar-se com os procedimentos médicos mais avançados. “Os protocolos vão sendo atualizados ao longo do tempo, com as novas tecnologias e estudos. É muito difícil que um não especialista esteja totalmente atualizado com isso”, explica Leandro.

O exame de toque salva vidas

O preconceito contra o exame de toque ainda é uma barreira para a detecção do câncer de próstata, especialmente entre os homens mais velhos. “Isso é um tabu. O exame não dura nem 10 segundos e não é o que as pessoas imaginam. O exame é feito com a pessoa deitada com a barriga para cima ou de lado. Contra a dor, há gel anestésico”, explica Leandro.

“As pessoas mal informadas tendem a vincular o toque retal com algo sexual, achando que vão precisar se submeter a posições embaraçosas. Ainda hoje há pessoas que negam, que se recusam. Mas é uma minoria”, conta ele.

Para o médico, recusar o toque é abrir mão de uma grande ferramenta de detecção precoce. Significa que a pessoa está diminuindo a chance de cura caso um câncer venha a ser descoberto no futuro.

“O exame de toque é um procedimento médico absolutamente inócuo e decisivo no diagnóstico precoce, portanto, um verdadeiro salva-vidas”, complementa Dratcu.

Visita anual ao urologista a partir dos 45 ou 50 anos

Eles falaram também sobre a idade certa para começar a fazer os exames. “A partir dos 50 anos o homem deve ir anualmente ao urologista. Se na família há histórico de câncer, isso cai para 45 anos. Abaixo dessa idade a prevalência é muito baixa. Assim como a partir dos 75, 80 não é mais recomendado”, disse Leandro.

O limite de 45 anos vale também para os afrodescendentes – outro grupo de risco – e para quem desconhece seu histórico familiar – caso dos adotados, por exemplo.

Quanto maior a incidência de câncer entre pais, irmãos e tios, incluindo aí as mulheres, maior o risco do indivíduo. “Com a pandemia, as pessoas deixaram de ir ao médico. Mas o paciente que tem muitos casos de câncer na família não pode esperar mais de um ano para voltar”, alerta Leandro.

Não espere por sintomas

Quanto antes um tumor é detectado, maior a chance de cura. Segundo os especialistas, o ideal é sempre fazer o check up antes de ter algum sintoma, até porque o câncer de próstata no início pode não dar sinais. Além disso, os sintomas são parecidos com os de várias outras condições de saúde.

“Homens que apresentam – em qualquer idade – diminuição ou interrupção do jato urinário, sangramento urinário e qualquer outro sintoma do aparelho reprodutor masculino devem procurar atendimento especializado imediatamente”, recomenda Dratcu.

Quem cuida da próstata é o urologista, não o proctologista

Pela semelhança dos nomes muitas pessoas confundem urologista com proctologista. “O proctologista é o médico do intestino. Porque fazemos o toque retal a pessoa acha que a próstata fica no intestino. Ou seja, se a próstata sangrar a pessoa vai evacuar sangue. Não. O intestino passa por trás da próstata”, ensina Leandro.

Sendo assim, se o paciente tem uma hemorroida ou uma dor anal, ele deve procurar um proctologista. Por outro lado, para fazer o check up da próstata, que é um órgão do sistema gênito-urinário, ele deve consultar o urologista.

O medo da impotência

Um dos maiores temores em relação ao câncer de próstata é o risco de impotência.

Segundo Leandro, esse medo está mais relacionado com a cirurgia do que com o câncer, especialmente na fase inicial.

O médico explica: “A ereção é controlada por um feixe de vasos sanguíneos e de nervos, que passam pela próstata. Se você tem um câncer nessa região e ele invade essa área, pode haver alteração. No momento da cirurgia, a dissecção desses nervos e vasos para retirar o tumor é bem delicada. E, dependendo de onde o tumor estiver, do grau de invasão ou de inflamação local, pode ter uma maior chance não só de impotência como de incontinência urinária”.

O mais comum, entretanto, é que essas sejam condições transitórias. Na maioria dos casos, isso se reverte em até seis meses após a cirurgia, alguns logo no início outros depois.

As novidades da robótica

Mas esses riscos são cada vez menores com as novas técnicas e cirurgias minimamente invasivas. “A cirurgia robótica, por exemplo, tem visão 3D, mais acurada, permite controles muito finos, com um sistema antitremor e com pinças muito articuladas (com rotações maiores até que o próprio punho humano), o que modificou muito, principalmente as suturas, as dissecções. É muito diferente em relação às cirurgias abertas, de antigamente, com maiores sangramentos, quando o paciente ficava cinco dias internado. Hoje ele fica um dia só”, contou Leandro, pós-graduando em cirurgia robótica em urologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Segundo Leandro, a urologia é uma das áreas médicas que mais se desenvolveu do ponto de vista de tecnologia para cirurgias. Nos EUA, mais de 80% das cirurgias de próstata são feitas por robótica. “No Brasil ainda estamos longe disso, mas os novos sistemas devem reduzir o custo e tornar a cirurgia mais acessível. Então, o risco de impotência e incontinência diminuiu consideravelmente”, afirmou.

Por isso, mais uma vez, ele repete a recomendação: “É extremamente importante fazer os exames regulares para detectar e tratar qualquer alteração na próstata o quanto antes”.

Recados finais

Para Leandro, iniciativas que levem ao aumento do conhecimento do público sobre o tema são essenciais. “A melhor arma contra o câncer de próstata é a informação”.

Segundo Marcelo, o ideal é buscar informações em fontes seguras, com um médico de confiança ou em publicações baseadas em estudos científicos de boa metodologia, e não em relatos ou depoimentos pessoais. “Não dê atenção a opiniões de pessoas desinformadas e fake news. Evite também a automedicação”, encerra ele.

Quem são

Leandro Marchetti Bruno: Urologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Cirurgião geral. Formado em medicina pela UFRJ. Pós-graduando em Cirurgia Robótica em Urologia (Hosp. Israelita Albert Einstein) – Professor de Urologia e Cirurgia do Jaleko. Membro da American Urological Association (AUA – Estados Unidos); Membro da Sociedade Brasileira de Urologia (RJ).

Instagram: @drleandrobruno

Marcelo Dratcu: Médico clínico formado pela EPM-UNIFESP, especializado em Medicina Comportamental e pós graduado em Gestão de Sistemas de Saúde. Atua em comportamento organizacional e é membro do grupo Médico Assistencial de Obesidade, Risco Metabólico e Cardiovascular do HIAEinstein, onde atende em seu consultório e coordena o curso de atualização multiprofissional “Ciência Comportamental Aplicada a Adesão e Engajamento de Pacientes”.

Publicado por blogicatu

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