O que são fundos multimercados e como funcionam?

Por Paula Lopes

Se você se interessou em conhecer mais sobre fundos multimercados, as chances de ter iniciado sua trajetória como investidor ou que já tenha um grau de maturidade para aceitar um certo nível risco, a curto prazo, são grandes. 

Pode também estar acompanhando as notícias das mínimas históricas da taxa de juros, cenário que propicia menores rendimentos para investimentos em renda fixa e oportunidades de ganhos na renda variável.   

Visto isso, essa pode ser uma boa hora para começar a diversificar sua carteira e aplicar em fundos multimercados. Então, vamos explicar a dinâmica e as regras de funcionamento desse fundo. Acompanhe!  

Fundos Multimercados 

Assim como os de renda fixa ou de ações, os fundos multimercados são formas de investimentos coletivas, ou seja, um mecanismo que reúne o dinheiro de diversas pessoas chamadas de cotistas (donos do fundo).   

Os fundos multimercados são geridos por pessoas terceirizadas, isso quer dizer que, um gestor profissional é responsável por tomar decisões a respeito de onde aplicar o dinheiro, e acompanhar, diariamente, a rentabilidade e o risco. 

A peculiaridade dos fundos multimercados está em sua flexibilidade para criar e recriar possibilidades que trazem maior rentabilidade para o fundo. 

Enquanto em um fundo de ações o gestor fica restrito a operar somente com ações, nos fundos multimercados ele tem a liberdade de definir diferentes ativos como câmbio, ações, renda fixa, derivativos, moedas entre outros.   

O gestor, além de poder alterar a composição dos fundos multimercados, conforme mudanças políticas e econômicas, não tem o compromisso de se concentrar em nenhum ativo específico.  

A liberdade disponível nesta modalidade, nos indica que estamos tratando de um investimento mais adaptável aos diferentes cenários da economia. Com aporte em diferentes ativos, os fundos multimercados podem manter um equilíbrio entre risco e retorno em grandes períodos de crise ou em situações em que um dos ativos é afetado.   

Mas, o risco existe e, mesmo contando com uma gestão profissional, grandes perdas são previstas quando, por exemplo, o gestor é pego de surpresa por eventos inesperados.  

Vale pontuar que os fundos multimercados podem ser mais conservadores que uma renda fixa ou mais ousados do que o fundo de ações. Dependendo da estratégia, o retorno pode ser alto, mas o risco também aumenta.  

Estratégias de fundos multimercado  

Conhecer as estratégias utilizadas pelos gestores em fundos multimercados, é essencial para quem está pensando em investir nesses fundos. 

Frente às variadas possibilidades de composição de fundos multimercados, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) elaborou algumas classificações para facilitar a decisão do investidor.  

Essas classificações de ativos podem ter gestão indexada (acompanham um índice de referência) ou ativa (meta é superar determinado número). Listamos abaixo alguns exemplos, confira:  

Dinâmicos  

Buscam retorno no longo prazo por meio de investimento em diversas classes de ativos e não se compromete com um “mix” pré-determinado.  

Balanceados  

Buscam retorno a longo prazo e seguem uma estratégia pré-determinada de aplicação dos recursos disponíveis, incluindo a previsão de rebalanceamento das aplicações, de acordo com as circunstâncias.   

Macro  

O cenário macroeconômico é a principal referência para os fundos que seguem esta estratégia. Seus gestores fazem análises e projeções de como os principais indicadores econômicos irão se comportar no médio e longo prazo.  A partir disso, definem quais investimentos serão feitos, combinando diversos ativos. 

Long and Short (Equity Hedge)  

Opera ativos de renda variável, principalmente ações, com posições compradas e vendidas. O objetivo do gestor, com essa modalidade, é buscar retornos pela diferença entre a rentabilidade dessas ações.  

Juros e Moedas  

O modelo exclui opções de renda variável como as ações. Aqui existe uma preferência para ativos que estão atrelados a índices, como juros e a inflação, além de moedas estrangeiras, como o dólar e o euro.  

Como funcionam os fundos multimercados?  

Não existem muitas barreiras de entrada para se aplicar em fundos multimercados, pois, a partir de R$ 100,00 você pode ser considerado um investidor. Mas, não é por esta razão que você deve começar a fazer essa aplicação. 

Nesse meio existem mais variáveis para se considerar, como os custos envolvidos para investir em fundos multimercados, por exemplo. Como temos a gestão profissional atuando, a taxa de Administração é inerente e vai existir em todos os casos.   

Já a taxa de Performance, precisa que o fundo tenha gerado um lucro para o investidor acima do que foi previsto pela taxa referência ou benchmark, ou seja, sem lucro, sem taxa. As mais comuns no mercado são de 20% sobre o rendimento que ultrapassar o CDI (taxa de referência de aplicações conservadoras) ou Ibovespa (principal índice de ações da bolsa de valores).  

Há duas outras taxas que oneram quem pede para sair cedo demais. Uma delas é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cobrado de investidores que resolverem tirar o dinheiro antes do prazo de 30 dias da aplicação. O IOF é cobrado sobre os ganhos do investidor e pode variar dependendo de quantos dias se passaram).  

A outra é a taxa de Saída cobrada de quem quer tirar o dinheiro antes do tempo pré-determinado (sim, alguns fundos têm carência).   

Tributação dos fundos multimercados 

Agora que você já sabe como funcionam os fundos multimercados, vamos falar sobre os tributos que incidem nele. Acompanhe: 

Imposto de Renda 

O Imposto de Renda (IR) nos fundos multimercados incide sobre os rendimentos e é retido na fonte no momento do resgate. Quanto maior o tempo da aplicação, menor é o IR cobrado.  Acompanhe abaixo:

Imposto de Renda para fundos de curto prazo (inferior a 365 dias):

  • 22,5% para aplicações até 180 dias;   
  • 20% para aplicações entre 181 dias até 360 dias. 
     

Imposto de Renda para fundos de longo prazo (acima de 365 dias): 

  • 22,5% para aplicações até 180 dias;  
  • 20% para aplicações entre 181 dias até 360 dias;  
  • 17,5% para aplicações entre 361 dias até 720 dias;  
  • 15% para aplicações com prazo de acima de 720 dias. 

Diante desses exemplos, podemos observar que estamos tratando de um investimento mais vantajoso a médio e longo prazo.   

Come-cotas  

O come-cotas é um sistema de recolhimento de imposto antecipado. Esse imposto é recolhido sempre no último dia útil dos meses de maio e novembro e utiliza o menor percentual incidente em cada tipo de fundo. Na hora do resgate da aplicação, não há tributação em dobro, é cobrada a apenas a diferença restante.  

Liquidez  

Nas lâminas explicativas sobre o fundo repare que há um item denominado de ‘Cota de Resgate’ e outro de ‘Liquidação de Resgate’. O primeiro é a quantidade de dias que leva para a sua posição ser revertida em cotas. O segundo, é a quantidade de dias necessários para as suas cotas serem transformadas em dinheiro na sua conta corrente. Temos opções em D+1 e muitas que passam de 30 dias.  

Previdência multimercado: conheça as vantagens  

Previdência é um fundo. Isso mesmo, quando você escolhe um plano de Previdência os recursos são efetivamente aplicados em um fundo de investimento.  

A Anbima classifica os 23 tipos de fundos de previdência existentes em 4 categorias, de acordo com a composição da carteira e a estratégia adotada por eles, e Multimercados é uma delas.  

A diferença de um fundo de previdência para um fundo de investimento é a sua finalidade de acumulação de recursos para a aposentadoria. Toda a regulamentação é modelada para um “horizonte” de 10, 20, 30 anos a frente e vamos falar sobre as vantagens desta opção.  

A composição e a estratégia do fundo previdenciário podem ser tão dinâmica quanto de qualquer outro fundo de investimento. A figura do gestor profissional também existe, portanto, a taxa de administração é cobrada.  

Existe uma segunda taxa chamada de taxa de carregamento, que pode ser cobrada toda vez que o investidor fizer um aporte. Algumas instituições escolhem recolher esta taxa na hora do resgate. Normalmente, são só essas duas taxas.  

Nos fundos previdenciários, para começar, não há come-cotas, o imposto é pago no momento do resgate. Há opção pela Tabela Progressiva onde a alíquota de imposto varia de zero a 27,5% e é proporcional ao valor recebido. Quanto maior este valor (incluindo aqui, além da renda mensal do plano, outras fontes de renda), maior a alíquota do imposto.   

Quando a opção for a Tabela Regressiva, a relação do valor do imposto é inversamente proporcional ao tempo do investimento. Quanto mais tempo o dinheiro permanecer no investimento, menor a tributação, podendo chegar a somente 10%. Confira, a seguir, as alíquotas da tabela regressiva:  

 

Período decorrido do aporte   Alíquota de IR  
Até 2 anos   35%  
de 2 a 4 anos   30%  
de 4 a 6 anos   25%  
de 6 a 8 anos   20%  
de 8 a 10 anos   15%  
Mais de 10 anos   10%  

  

No pacote de vantagens da previdência multimercado, deve-se considerar também sua liquidez, que gira em torno de D+ 10 dias, um prazo mais curto em comparação ao fundo de investimento que abordamos no início.  

Aplicar em fundos multimercados pode parecer complexo e exige tempo para analisar tantas opções, se tantas variáveis te deixarem desconfortável ou inseguro para fazer uma boa escolha, temos muito mais a compartilhar com você. 

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Publicado por Paula Lopes

Paula Lopes possui mais de 12 anos de experiência em curadoria e produção de conteúdo, gestão de canais, implantação de plataformas digitais, campanhas de engajamento e eventos motivacionais para o público interno de empresas de diferentes segmentos e portes.

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