Panorama Econômico – 3º Trimestre

Por Diana Dantas


Cenário Mundial:

O cenário mundial ainda é bastante benigno no sentido que o PIB mundial continuará a mostrar trajetória de crescimento na maioria das regiões do planeta. Entretanto, a partir das crescentes ameaças de guerra comercial pelo governo do presidente americano Donald Trump, que é o chefe de governo da maior economia mundial, houve um aumento do grau de incerteza a respeito da continuidade do crescimento nos próximos dois a três anos. De acordo aos dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB dos Estados Unidos em 2017, sozinho, correspondia a  quase 25% do PIB mundial. Evidentemente, por seu significativo tamanho, o que aconteça na economia americana tem um imenso impacto no resto do mundo e, em especial, nos países emergentes como Brasil.

 

 

De acordo às últimas projeções do FMI, divulgadas em julho deste ano, o PIB mundial ainda há de mostrar crescimento robusto de 3,9% tanto em 2018 quanto em 2019. Mas, o desempenho econômico mundial a partir de 2020 é hoje mais incerto. O desfecho das ameaças de guerra comercial com várias regiões do mundo, feitas pelo governo Trump, podem ter um efeito deletério no crescimento da economia mundial, que se acontecer, terá, por suposto, efeito negativo sobre o próprio Brasil.

 

Economia Brasileira: 

A economia brasileira saiu da profunda recessão de quase três anos em 2017, mas a retomada do crescimento tem sido mais lenta do que se esperava. No ano de 2017, o PIB cresceu 1% e este ano, o crescimento não chegará a 2% a despeito do robusto crescimento da economia mundial. No início de março deste ano, o consenso de mercado, pesquisado semanalmente pelo Banco Central, apontava para um crescimento do PIB de cerca de 3% para este ano. Já o consenso de mercado da segunda quinzena de agosto mostrava projeção de crescimento de apenas 1,47%. De todo modo, seriam dois anos seguidos de expansão do produto, depois de dois anos em que a economia brasileira mergulhou numa das maiores quedas de atividade da sua história econômica, em razão de políticas econômicas totalmente inconsistentes implementadas pela equipe econômica anterior. Em linha com essa trajetória lenta de recuperação a taxa de desemprego também está diminuindo de forma lenta.

O pico do desemprego, medido pelo IBGE, foi de 13,7% no trimestre acabado em março de 2017. Essa taxa caiu para 12,4% no trimestre acabado em junho de 2018 (último dado disponível), mas é ainda muito elevada.

As razões para uma maior frustração com a trajetória de recuperação econômica são internas e relacionadas à enorme incerteza com o resultado das eleições presidenciais deste ano. É que reformas importantes como a reforma da previdência, a reforma tributária e uma reforma que diminua os gastos obrigatórios são urgentes e fundamentais para reduzir a fragilidade fiscal e estancar o crescimento constante da dívida pública. E, por enquanto, não está nada claro como e quando o eventual ganhador do pleito eleitoral haverá de enfrentar esses enormes e dolorosos desafios. Esta incerteza mantém empresários e agentes econômicos em compasso de espera na tomada de decisões de investimento e de consumo. Portanto, não podemos esperar uma retomada forte do crescimento econômico no futuro próximo.

Felizmente, do ponto de vista de inflação sob estrito controle, contas do setor externo extremamente robustas, níveis muito altos de reservas internacionais e a menor taxa de juros  Selic da história econômica do País, o Brasil tem hoje um colchão de segurança que nunca teve antes para enfrentar uma crise de incerteza e de confiança no futuro.

Publicado por Diana Dantas

Formada pela PUC-Rio, Diana Dantas passou por diferentes redações, como O Estado de S. Paulo, Agora SP (Grupo Folha) e Brasil Econômico (Grupo Ejesa). Nesse período, trabalhou nas editorias de Educação, Cidades, Cultura e Economia. Desde de 2017, escreve para Icatu sobre seguros e planejamento financeiro.

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