Futebol e Investimentos - O que o esporte tem a ensinar - Blog Icatu Seguros

Futebol e Investimentos – O que o esporte tem a ensinar

Por blogicatu

O esporte mais popular do planeta traz lições valiosas para o time dos investidores. Um papo com um especialista no assunto, Duda Rocha, cofundador e CEO da gestora de recursos Occam.

As lições do futebol para o time de investidores

A sua paixão pela bola pode render frutos para seus investimentos. Numa entrevista exclusiva para os clientes da Icatu, convocamos, ou melhor, convidamos um apaixonado por futebol e gestão de recursos: Carlos Eduardo Rocha, o Duda, da gestora Occam, parceira da Icatu.

À frente de um time de 30 pessoas e com mais de 30 anos de experiência no mercado, nosso “técnico” vai ensinar como tirar proveito das semelhanças entre o esporte mais popular do planeta e a arte de investir. 

Experiência e entrosamento

Talvez você não saiba, mas experiência e entrosamento (assim como no futebol) são fatores bem relevantes quando precisamos escolher uma gestora. 

Nesses dois quesitos, aliás, a Occam tem tudo para ir longe no campeonato. A equipe é sênior e trabalha junto há muitos anos. Além disso, o time de Duda tem uma visão fundamentalista com gestão ativa. 

Ou seja, na hora de escalar uma ação, fundamentos como o potencial de crescimento de uma empresa e sua saúde econômica é o que valem. “Qualidade, qualidade e qualidade” sempre foi o mantra de Duda para resumir essa escolha.  

Aqui na Icatu, a gestora é responsável pelo fundo Occam Icatu Prev, um multimercado que busca retornos de longo prazo investindo em ações, juros, inflação e câmbio – uma seleção, portanto, bem diversificada. Com R$ 5 mil, já é possível iniciar o investimento nesse fundo de previdência. 

É preciso fugir do improviso

Detalhe: além de um apaixonado por futebol, o CEO da Occam é um flamenguista orgulhoso das recentes conquistas do clube carioca. Por isso, ele começou nossa conversa dando o exemplo de seu time, quando perguntamos a ele sobre um de seus assuntos favoritos: o risco.

“Muito dessa parte de gestão de risco que os gestores negligenciam foi o que o Flamengo fez. É fundamental você tomar o risco. No Flamengo, isso foi latente com o Jorge Jesus”, lembrou Duda, ao citar a contratação de um técnico estrangeiro – o que não era muito comum no Brasil até então – para comandar a equipe rubro-negra. 

“Na parte de gestão, muita gente improvisa, não tem uma filosofia clara. Por isso que é importante procurar um profissional”, completou.

Disciplina para investir

Ao longo da entrevista, Duda elencou diversas características futebolísticas. Engenheiro de formação, ele elege a disciplina como uma virtude importante, tanto para quem poupa quanto para quem faz a gestão de recursos. 

“O esporte amador nacional hoje é comandado por muitos treinadores estrangeiros. O que eles falam é que o talento, a aptidão do atleta brasileiro é muito grande, mas a falta de disciplina também é grande”, alertou Duda. 

Quem tem dificuldades de poupar todo mês sabe exatamente do que o gestor da Occam fala. A falta de recorrência pode prejudicar o desempenho dos investimentos, no longo prazo. 

A importância de tomar risco

Apesar de apaixonado por futebol e investimentos, é uma frase da escritora Clarice Lispector que chama a atenção durante a entrevista: “A salvação está no risco”.

Duda a repete com frequência, não sem antes voltar a trazer exemplos das quatro linhas para explicá-la: “O que é tomar risco? Na verdade, a melhor defesa é o ataque. Os times que jogam ofensivamente empurram os outros times para trás, que não conseguem avançar. Se você tomar risco, suas chances de ganhar a partida são maiores, como a rentabilidade.”

Segundo ele, toda decisão de investimento deve visar o risco: “Quando eu falo do risco, as pessoas normalmente ficam com medo de perder dinheiro. Eu sempre falo que é risco, mas com preservação de capital, ou seja, não ter perda. É gestão do risco. A tolerância à perda de um bom gestor tem de ser zero.”

Na busca da rentabilidade, é preciso jogar no ataque

Ou seja, é preciso jogar no ataque, buscar o gol, mas também fazer de tudo para não sofrer um contra-ataque e levar gols – o que é normal e pode acontecer, sim: “As pessoas dizem: ‘Quero CDI + 8%, mas não tolero perdas’. Aí, não adianta”, frisou o CEO da Occam. 

Talvez a palavra “consistência” possa definir bem a recomendação de Duda: ganhar, mesmo que seja por 2 x 1. Afinal, essa vitória vale os mesmos três pontos que uma goleada: “Se o seu fundo rende 15%, em 5 anos você dobra o seu dinheiro. Em 10 anos, você multiplica por 4. Em 15, você multiplica por 8. Em 20, por 16. Se você tomou um risco e tem uma consistência, você faz a sua previdência, você faz a sua aposentadoria.”

Embora tenham aumentado nas últimas reuniões do Banco Central, a taxa de juros básica no país ainda é baixa, o que explica a recomendação do gestor por buscar o risco. “Ninguém no Brasil vai ficar satisfeito com retornos de 5%, 6%, em média. As pessoas têm que buscar o risco para ter um retorno maior. É por isso que eu digo que a salvação está no risco”, explicou. 

No meio-campo, a previdência

Sobre a importância de ter um plano de previdência em sua seleção de ativos, nosso entrevistado avalia que o produto é uma espécie de “jogador completo”. “É um meio-campo que, ao mesmo tempo em que ataca, também defende”.

Segundo ele, a vantagem está no fato de os planos de previdência conseguirem ter o mesmo ganho que os fundos multimercado.

No PGBL, por exemplo, é possível deduzir da base de cálculo do IR as contribuições feitas para o plano até o limite de 12% da renda bruta tributável. “As pessoas, inexoravelmente, deveriam caminhar para o produto previdência”, recomendou. 

A mágica dos juros compostos

Voltamos ao atual campeão brasileiro para entender um conceito muito comum em investimentos, o juro composto. “O Flamengo vende jogador de Seleção por milhões de euros, mas compra garoto. Ele compra por uma fração pequena do que ele vende. O planejamento de longo prazo é a mágica do juro composto.”

Ele diz que se você cuida bem de sua base, ou seja, se você permanece saudável financeiramente, não será obrigado a vender um ativo antes do tempo. É comum que times de futebol vendam craques surgidos em suas categorias de base ainda muito jovens, para cobrir rombos financeiros. 

Isso faz com que os clubes percam boa parte da valorização que os atletas teriam com o passar do tempo. Já ouviu falar de custo de oportunidade? Mais uma vez, o futebol nos ensina a investir. 

Seleção de ações

Perguntamos a Duda qual seria sua convocação hoje para uma seleção de ações. Ele aposta em três setores: o primeiro é o cíclico, como o varejo, que vem se recuperando da pandemia.

O segundo é o de empresas de tecnologia. Por fim, voltamos à pandemia: ele acredita que os ativos ligados à saúde podem performar bem: “As pessoas passaram a dar mais atenção à saúde”, destacou. 

Antes de encerrar a entrevista, queremos saber do “técnico” qual o esquema tático do seu time. “Dois terços do nosso risco é ação, e um terço é macro: renda fixa, commodities e câmbio. É como se você imaginasse um time de futebol em que dois terços da sua capacidade é a de atacar, e um terço seria para se defender. Se você não fizer essa simetria, a capacidade fica mais limitada.”

Com cerca de R$ 16,5 bilhões sob gestão, a Occam foi batizada em homenagem a um filósofo, o frade franciscano inglês William de Ockham. Foi ele quem criou o “princípio de Occam”, que estabelece que diante de uma questão, é preciso se concentrar apenas no essencial, excluindo tudo o que seja irrelevante para a sua solução.

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