De frente com o gestor: Conheça a IP - Blog Icatu Seguros

De frente com o gestor: Conheça a IP

Por blogicatu

Um papo com especialistas da IP, icônica gestora de ações que possui agora um fundo de previdência para participantes qualificados com a Icatu. Carolina Barbará e Rodolfo Marinho falam sobre a empresa, sua filosofia de investimentos e sobre o IP Previdência Icatu.

A partir deste mês de abril, traremos especialistas das gestoras parceiras da Icatu para ajudar você a tomar as decisões em relação ao seu investimento em previdência. A abertura é com a IP Capital Partner, que, após 30 anos de experiência na gestão de fundos de ações, estreia na previdência. O fundo criado em parceria com a Icatu traz o melhor da estratégia em ações da IP: a união da expertise de mais de 30 anos tanto no mercado local como no global.

Criada em 1988, no Rio de Janeiro, a IP foi uma das primeiras gestoras de recursos independente do Brasil. A empresa possui hoje R$ 4,8 bilhões sob gestão em uma das mais robustas carteiras de ações no país. Especialistas da IP, Carolina Barbará e Rodolfo Marinho, contam sobre a trajetória e filosofia de investimentos da gestora e sobre o IP Previdência Icatu.

O que é uma gestora de recursos?

Carolina – Uma gestora de recursos nada mais é do que um grupo de profissionais que toma as decisões de investimento pelo cliente, um time de especialistas que debate intensamente determinados temas – no nosso caso, ações – para formar a carteira ideal para atingir seus objetivos de retorno.

Rodolfo – Uma gestora é um grupo de especialistas que cuida de algo que é muito caro para você, no caso, seu patrimônio. Cada gestora tem um perfil. Fazendo uma analogia com a saúde, quando ficamos doente, procuramos um hospital ou vamos direto a um especialista. O banco seria o hospital. Lá tem o gerente, o “clínico geral”, que vai resolver seu problema com base os recursos disponíveis, a gama de produtos do banco. A gestora é a “clínica-boutique”, onde você se consulta diretamente com um grupo de especialistas em alguns poucos temas específicos. O gerente do banco trabalha de forma generalista. Já o médico da clínica tem conhecimento aprofundado em determinadas áreas e capacidade para acionar tratamentos mais sofisticados e assertivos.

Quem é a IP?

Rodolfo – A IP é uma gestora independente (não ligada a bancos) com 33 anos de experiência no investimento em ações. Outra especialidade conquistada ao longo do tempo é a capacidade de investir não só em empresas brasileiras mas também em estrangeiras. Não importa o tamanho da empresa ou onde ela esteja, a ideia é investir nos melhores modelos de negócio que encontramos no mundo. A IP foi a primeira gestora de recursos independente do Brasil, participando ativamente da formulação das primeiras regulações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A busca pelas melhores empresas sempre foi o foco, e a resposta a esse desafio foi mudando com o tempo. No início, tínhamos um perfil muito mais ativista, impulsionando a modernização dos negócios. Hoje, com o desenvolvimento da indústria nacional, isso acontece cada vez menos. O conhecimento sobre empresas no exterior nasceu ainda na década de 90 ao contraponto de empresas locais com empresas de países estabelecidos. Perseguimos empresas fora de série e, como existe uma carência do mercado brasileiro de negócios inovadores em abundância, ampliamos nosso campo de ação para o exterior.

Por que investir num fundo de previdência em vez de comprar ações diretamente?

Rodolfo – Voltando à comparação com a saúde, se você não é um médico especialista, certamente não será a melhor pessoa para decidir o tratamento ou a fórmula do remédio a tomar. Mas, ainda sim, se você é uma pessoa super interessada, que deseja fazer tudo por contra própria, essa decisão vai demandar muito trabalho. É preciso estudar, pesquisar, escolher cuidadosamente que empresas ter participação e saber reagir a oscilações de preço. Depois, tem a dificuldade de controle, como o recolhimento de impostos, o que demanda um conhecimento sofisticado. Já num fundo você tem um administrador por trás, que vai resolver todos esses problemas e entregar o informe de rendimentos pronto. Todo o trabalho tributário será feito pela empresa e não por você.

Se comparamos um fundo de previdência com um fundo de ações, existem as vantagens fiscais, que são muitas. No PGBL, por exemplo, você pode abater as contribuições até 12% da sua renda bruta anual. Num fundo de previdência, você pode optar pela Tabela Regressiva do IR, que oferece alíquota de apenas a 10%, dependendo do tempo que você deixa seu dinheiro aplicado; num fundo aberto, o mínimo são 15%. Nos fundos de previdência não existe o come-cotas. Além dos incentivos fiscais, o fundo de previdência é um bom instrumento para o processo de sucessão. Você indica os beneficiários do patrimônio que acumulou e, em caso de morte, o dinheiro é pago a quem você escolheu, desde que respeitado os limites dos beneficiários legais. Dependendo do estado, o dinheiro ainda fica livre do imposto de transmissão. Tem também a questão da portabilidade, de poder transferir o dinheiro para outro fundo (e estratégia) sem pagar imposto. Isso seria inviável ao investir diretamente em ações ou num fundo de investimento tradicional.

O que o fundo de previdência gerido pela IP tem a oferecer aos clientes da Icatu?

Rodolfo – Ao optar por um fundo de previdência você precisa escolher um investidor excelente, confiável, seguro, que vai ficar com seu dinheiro potencialmente por 20, 30 anos. O ideal é alguém já estabelecido no mercado, que tenha o ferramental e a experiência de enfrentar diversos cenários. E isso casa muito com a questão do investimento em empresas estrangeiras. Investir no exterior permite à gestora ter mais ferramental para enfrentar os mais diferentes cenários, especialmente os políticos e eleitorais brasileiros. Defendemos e praticamos o investimento de longo prazo. Estávamos aguardando um novo marco regulatório, como o do final de 2019, que possibilitou estender a nossa maior expertise aos clientes de previdência também.

Carolina –
Consideramos ações um excelente instrumento de poupança de longo prazo, só que, dependendo da empresa em que você investe, do tipo de negócio selecionado, isso pode ser extremamente arriscado. O que buscamos é: como investir em ações com segurança? Como usar um instrumento de ações, que é volátil por natureza, e ter um retorno seguro ao longo do tempo? Para nós, da IP, isso significa montar um portfolio com empresas de excelente qualidade. Começamos a investir no exterior com o propósito único de formar uma poupança de longo prazo com mais segurança. Ser uma solução segura e com altos retornos para investimentos em ações em longo prazo. Todas as decisões que tomamos para a IP são decisões para o nosso patrimônio. Somos 18 pessoas e todos aqui têm participação nos fundos da  empresa. No mínimo 50% do patrimônio pessoal de cada um está investido no mesmo fundo que a empresa oferece aos clientes. Além disso, as regras de resgate para a equipe são bem mais restritas que para os clientes. Ao me desligar da IP, por exemplo, eu tenho que esperar dois anos e meio para resgatar completamente meu patrimônio. O cliente faz isso em até 30 dias.

Como funciona a estratégia do fundo e como ela está alinhada à previdência?

Rodolfo – Nosso objetivo é ter a capacidade de atravessar as crises preservando o patrimônio dos investidores no longo prazo, independentemente do que aconteça com os preços no curto prazo. Por isso, perseguimos empresas com motores próprios de crescimento, que estejam disponíveis a preços atraentes. Isso a gente encontra com mais facilidade nos Estados Unidos, como Netflix, Google, Facebook… Na Europa tem muitas empresas boas de luxo que a gente gosta. Priorizamos também determinados setores. Excluímos empresas de controle estatal ou de commodities, o que por si só torna esse fundo muito diferente da grande maioria dos fundos de ações brasileiros.

Carolina – Se queremos investir em ações e formar uma poupança de longo prazo capaz de atravessar os mais variados cenários, as imprevisíveis crises, precisamos ter um portfólio à prova de bala. Essa é estratégia. Concentramos investimentos apenas nos melhores negócios, por isso, consideramos também as empresas fora do Brasil, para que a busca por negócios excepcionais possa ser ainda mais exigente.

Como a expertise da IP de investir lá fora pode agregar em um produto de acumulação visando o longo prazo, de forma geral?

Rodolfo – Ao investir em ações combinando empresas locais e estrangeiras temos conseguido ter resultados com muito menos quedas, de maneira geral. O fato de termos empresas internacionais, que sofrem menos em cenários de revés da economia local, faz com que as quedas sejam amortecidas, sem perder o potencial de valorização. De 2008 para cá, por exemplo, enquanto o Ibovespa teve quatro anos negativos (em 2008, 2011, 2013, 2014 e 2015), nosso fundo aberto, o IP Participações, teve apenas um (na crise de 2008). Também conseguimos melhor retorno composto. Se olharmos os últimos oito anos, de 2013 até o final de 2020, o Ibovespa vai de -18% a +39%, enquanto o IP Participações, de 1,9% a 31,5%. O CDI teve média de 9% a.a. À primeira vista, os retornos podem não parecer tão diferentes, mas quando observamos o comportamento acumulado tudo muda de figura. Temos o Ibovespa com aproximadamente 95% acumulado, praticamente empatando com o CDI, contra o IP Participações, com mais de duas vezes esse retorno, 220%. Seria muito difícil ter esse resultado investindo apenas em empresas brasileiras.

Como é calculado o valor da cota de um fundo?

Rodolfo – Um fundo nada mais é do que a soma de seus ativos. Vamos supor que você tenha R$ 10 mil para investir e resolve replicar a carteira do fundo da IP, exatamente com os mesmos ativos. O primeiro problema é que você não terá volume para negociar as ações por conta dos valores mínimos de cada uma. Num fundo existe a vantagem de alocar um patrimônio potencialmente pequeno e ter uma diversidade muito maior do que você conseguiria sozinho. Isso se reflete na cota. Um fundo tem X% de participação na empresa A, Y% na empresa B, Z% na empresa C, e assim por diante. A cota nada mais é do que a soma desses percentuais, do valor de mercado de cada um desses investimentos. Voltando a uma definição mais técnica, o valor da cota é a soma dos valores de mercado de seus ativos dividida pelo total de cotas emitidas pelo fundo. E quem investe no fundo se torna dono de uma fração desse patrimônio.

Como é feito o acompanhamento dos resultados da gestora? E como um erro de escolha de ativos é percebido?

Rodolfo – Temos alguns mitigadores de risco. Inicialmente as decisões de investimento ocorrem de uma maneira colegiada e ao analisar uma empresa, normalmente fazemos essa abordagem em dupla, para eliminar qualquer viés pessoal. Para isso, montamos uma equipe multidisciplinar, formada por pessoas com perfis bem diferentes. Temos também muitos processos já estabelecidos, com base na nossa experiência de 30 anos no mercado. O que consideramos hoje como o melhor modelo é o que chamamos de Portfolio Notes, ou Notas de Portfólio. Toda vez que a equipe de gestão se reúne e toma uma decisão de investimento, estabelecemos um contexto para a decisão. Temos como prática analisar decisões passadas para confrontar com o desenvolvimento das empresas. Conversamos muito com pessoas de fora, com especialistas do mercado. Tem uma pessoa na IP que só faz isso: estabelece contato com experts em determinados negócios para ouvir a opinião deles, saber como eles enxergam a dinâmica de empresas, setores ou questões específicas desses investidores.

Qual a análise atual de vocês sobre o mercado de ações? É possível esperar o timing ideal de investimento ou é melhor estar sempre posicionado?

Rodolfo: É muito difícil acertar o timing dos investimentos, especialmente no mercado brasileiro. Nem os sócios da IP tentam isso. Ainda não descobrimos uma forma melhor de ganhar dinheiro de forma consistente ao longo do tempo do que ter participações societárias em empresas fora de série. A beleza e o desafio é que novos nomes surgem na lista, alguns são promovidos e outros demovidos, e os preços mudam muito rapidamente. Se você traduz investir em ação por “ser sócio de uma empresa”, sempre existem no mundo negócios espetaculares, geridos por pessoas brilhantes, gerando muito valor para a sociedade de forma sustentável e que às vezes são negociadas a preços interessantes. Nesses 30 anos sempre encontramos diversas oportunidades. Basta ter capacidade para identificá-las.

Mais informação
Aguarde. Na próxima edição da News, teremos outro parceiro de investimentos da Icatu. Acompanhe também as lives financeiras no canal da Icatu no YouTube.

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