Victoria Werneck, economista-chefe da Icatu, analisa o panorama econômico no Brasil e no mundo.

Por Giselle Vasconcelos

Todo mês traremos uma análise do panorama econômico do país pela economista-chefe da Icatu Seguros, Victoria Werneck, uma das mais respeitadas especialistas do mercado. Nesta edição você encontra o resumo de uma apresentação feita por ela no canal da Icatu YouTube, em 28 de maio.

Em uma hora, Victoria fez uma análise detalhada e esclarecedora dessa que é considerada a mais grave crise econômica mundial dos últimos 85 anos, observando suas peculiaridades, seus impactos no Brasil e as perspectivas para retomada nos próximos anos.

“Se houvéssemos feito um isolamento sério e responsável, o período de dor seria mais curto.”

Victoria Werneck, economista- chefe da Icatu

MENOS PRODUÇÃO E MENOS CONSUMO

Segundo a economista, a crise causada pela pandemia distingue-se de todas as outras da história do país, porque traz a combinação peculiar dos efeitos devastadores de dois choques macroeconômicos: um pelo lado da demanda e outro pelo lado da oferta, imposto pela necessidade do “lockdown”.

Os dados da economia dos Estados Unidos mostram a gravidade do momento atual. Lá, somente em abril, 20,5 milhões de pessoas perderam o emprego. Desde a segunda quinzena de março, 40,8 milhões de americanos entraram com pedidos de seguro-desemprego no país.

CRISE SANITÁRIA, ECONÔMICA E POLÍTICA

Para Victoria, no Brasil o timing foi ainda pior. No início do ano, a economia apresentava alguns sinais positivos, com inflação sob controle, taxa de juros baixas, porém a pandemia desarticulou o avanço das reformas que tornariam possível uma consolidação fiscal, que, segundo ela, ainda se faz necessária para o país voltar a crescer. “Entramos nessa crise com um quadro fiscal precário e a sociedade extenuada por uma longa recessão, seguida de vários anos de crescimento medíocre. E com mais de 12 milhões de desempregados”, disse. Hoje enfrentamos uma complexa interação de três grandes crises: sanitária, econômica e política.

Analisando cenários de curto e médio prazo, para 2020 Victoria projeta que o PIB caia 8% e a Selic seja reduzida até 2%, sendo o segundo trimestre o pior do ano. Já em 2021, a projeção é um crescimento do PIB de 3%, com uma retomada lenta, porém já simbolizando algo positivo.

RECUPERAÇÃO EM FORMATO DE U

“Hoje vejo uma recuperação para o Brasil seguindo o formato U. Se houvéssemos feito um isolamento sério e responsável desde março, o período de dor teria sido mais curto. Por isso, agora temos que lidar com o problema por muito mais tempo. Existe ainda toda pressão para a retomada de atividades, o que pode resultar no surgimento de uma segunda onda da pandemia, como aconteceu no Chile, por exemplo, o que seria muito mais grave”, explica Victoria.

Com a chegada do “novo normal”, há ainda a questão mudança no padrão de consumo, que representa cerca de 70% do PIB. Se o nível de confiança continuar baixo, será mais uma razão para que a recuperação econômica do país aconteça em U, segundo Victoria.

NECESSIDADE DE ECONOMIZAR

A discussão também levantou perceptivas positivas. Com o baque trazido pela crise, a tendência é que a pessoas fiquem mais atentas à necessidade de poupar e cuidar do dinheiro com mais responsabilidade, o que fará subir a procura por planos de previdência, por exemplo.

Por mais que o cenário seja negativo de modo geral para os próximos meses, Victoria reforça características que podem ajudar o Brasil a se recuperar de uma crise dessa magnitude. “Contamos com um parque industrial verticalmente integrado, onde produzimos de tudo, um agronegócio extremamente produtivo e competitivo. O país pode se beneficiar disso ao longo do tempo, porém precisa evitar a incerteza que a crise política traz”, finaliza.

Saiba mais
Confira a análise completa de Victoria Werneck, no canal da Icatu no YouTube.

Publicado por Giselle Vasconcelos

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