Volta da inflação: conheça os prognósticos dos economistas de fundos de previdência - Blog Icatu Seguros

Volta da inflação: conheça os prognósticos dos economistas de fundos de previdência

Por blogicatu

Nos últimos 12 meses, a inflação medida pelo IPCA chegou a 8,06%. Para explicar por que os preços subiram tanto no Brasil (mas também no mundo), a Icatu conversou com os economistas Elisa Machado, da gestora ARX Investimentos, e João Paulo Aveiro, da Pacifico Gestão de Recursos.

Mercado financeiro, Banco Central, consumidores. Não há quem não se preocupe com a alta dos preços dos últimos meses. No caso de quem possui investimentos, além da inflação, também é preciso estar atento aos juros básicos, que têm subido a cada nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Um cenário, portanto, desafiador.

Na live “Inflação: como proteger a sua previdência privada”, conversamos com Elisa Machado e João Paulo Aveiro, economistas-chefe de duas gestoras de investimentos cariocas. O encontro, que ocorreu no dia 16 de junho, contou com a participação de Talita Raupp, da nossa equipe de Previdência – que também é economista. Leia o resumo com os principais trechos da conversa.

Fenômeno mundial

Uma espécie de “super-quarta” foi o dia marcado para a live. Naquele dia, horas depois do Conversa com Especialista, o Copom iria aumentar a taxa Selic em 0,75%, e o banco central americano, o Federal Reserve (Fed), manter os juros norte-americanos em zero, além de antecipar a previsão de alta de juros para 2023.

Logo no começo do encontro, Elisa lembrou que a atenção dos gestores de recursos e economistas hoje está voltada para a alta de preços não só no Brasil, mas também lá fora: “Esse fenômeno de alta de inflação não é característica só nossa e nem de emergentes. A gente está tendo isso no mundo todo. Então, há uma grande expectativa de como os bancos centrais vão reagir a esse fenômeno. A inflação, que era dada como morta desde a crise de 2008, voltou a assustar todo mundo.”

A pandemia e o choque de oferta

O CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) americano de maio, por exemplo, surpreendeu o mercado. Mas o que terá provocado essa escalada de preços no mundo? A pandemia, obviamente, foi uma das vilãs.

“Essa crise do coronavírus teve uma característica bem diferente: ela também veio acompanhada de um choque de oferta, seja por problemas de cadeias produtivas, seja por eliminação de oferta, porque empresas saíram do mercado”, explicou Elisa.

João Paulo recordou que, antes de a maior crise sanitária dos últimos 100 anos começar, a inflação não preocupava os economistas. “O curioso é que, no início da pandemia, existia uma expectativa de que talvez a pandemia chegasse a ser desinflacionária. Na metade do ano passado, as expectativas de inflação de parte do mercado para 2020 e 2021 eram respectivamente de 1,5% e 3%.”

Bem diferente, portanto, do que temos hoje no Brasil: “De lá para cá, naturalmente houve uma mudança muito grande em cerca de três pontos. A inflação de 2020 foi de 4,5%, e a inflação de 2021, a gente espera algo em torno de 6%”, completou.

Commodities e câmbio

Para João Paulo, os maiores culpados pela alta de preços no país foram a valorização das commodities e o câmbio, impactando sobretudo o preço dos combustíveis e os alimentos, além de provocar reajustes de energia elétrica.

Elisa destacou que os estímulos econômicos criados pelos governos no início da pandemia – como o auxílio emergencial no Brasil e os cheques distribuídos pelos Estados Unidos aos americanos – também contribuíram para aumentar a pressão inflacionária: “A oferta de trabalho está prejudicada por causa do volume de transferência governamental.”

João Paulo também credita a inflação americana a esses estímulos. “Nos Estados Unidos, existe uma gama grande de itens que subiram no CPI que são fruto de um choque de reabertura, de um problema de oferta e de uma pressão de salários que têm o custo de oportunidade elevado, devido ao auxílio emergencial deles, que foram importantes para gerar essa alta de inflação recente lá fora.”

Sem chuvas, inflação alta

Além do câmbio (recentemente, o dólar chegou a ser cotado a R$ 4,96, menor valor em um ano), do preço das commodities e dos auxílios dados pelo Governo Federal, que devem cessar em breve, os economistas Elisa e João Paulo também estão de olho no céu, ou melhor, na crise hídrica.

Por conta do baixo volume de chuvas, os reservatórios das hidrelétricas estão com os piores níveis em décadas, o que ameaça o fornecimento de energia no Brasil. Na live, houve o consenso de que uma possível crise no setor pode, sim, impactar o índice de inflação este ano.

Se conseguirmos contornar mais essa crise, no entanto, é possível que a inflação no segundo semestre desacelere, previu Elisa, durante a conversa: “O que a gente espera é que esses reajustes de preço sejam mais brandos do que foram no último semestre de 2020 e no primeiro de 2021.”

Avanço da vacinação

Nos últimos meses, assistimos à escalada dos preços dos alimentos e dos preços administrados – aqueles serviços e produtos que têm reajustes definidos por contratos ou são regulados pelo setor público, como os combustíveis e a energia elétrica.

Ao mesmo tempo, um setor viu seus preços seguirem no sentido contrário, sobretudo por causa da pandemia: o de serviços. Por isso, ao projetar a inflação em 2022 de 3,7% (bem menor que a de hoje, portanto), João Paulo disse acreditar na inversão do cenário que vivemos: “Nessa projeção, eu considero uma desaceleração dos preços de alimentação, industriais e administrados, resultante do preço de commodities. Por outro lado, a área de serviços vai ter uma aceleração.”

Elisa também acredita na alta preços dos serviços, como restaurantes, salões de beleza e cinemas, à medida que a vacinação e a reabertura econômica avançam.

Na carteira, fundos de ações e multimercado

De olho nessa retomada, a Pacifico tem apostado nas ações de setores que vão se beneficiar com a volta à normalidade nas cidades e com o maior fluxo de pessoas nas ruas. “Talvez a bolsa seja um bom investimento daqui para a frente. Dentro do nosso fundo multimercado, a gente tem investimento em ações.”

Elisa também fez sua recomendação: “Fundo multimercado é um veículo bom para você estar, justamente porque ele tem acesso a uma diversificação grande e que permite, principalmente em gestores especializados, que a gente consiga dar uma proteção bem significativa para o investidor.”

A Icatu tem alguns fundos das duas gestoras. O Pacifico Icatu Prev, por exemplo, investe em vários tipos de ativos, como juros, moedas e ações. A gestora Pacifico é especializada em ações e multimercado.

Já a ARX oferece o ARX Target Icatu, um multimercado, o ARX Denali Icatu, que investe sobretudo em ativos de crédito privado de empresas, e os fundos ARX Income 49 ou 100, com foco em ações. A gestora tem hoje mais de R$ 26 bilhões sob gestão.

Retomada econômica no radar

O Banco Central elevou a Selic para 4,25% ao ano, e o mais recente Boletim Focus estimou que esse percentual estará em 6,25% no final de 2021. Mesmo com a recente subida dos juros básicos, a economista-chefe da ARX Investimentos acredita que a recuperação econômica está garantida.

“A subida de juros a gente tende a achar que sempre é ruim para a atividade. Essa conta não é tão simples, nem tão cartesiana. Os agentes do mercado não gostam de juros subindo, mas gostam menos ainda de um Banco Central que não está combatendo devidamente as pressões inflacionárias”, avaliou.

Quando o assunto é retomada econômica, João Paulo está de olho no que acontece hoje com os americanos, em meio ao avanço na vacinação. Muitas cidades e estados já conseguiram imunizar um grande percentual de moradores, reduzindo as restrições impostas desde março de 2020. É o caso de Nova Iorque, onde 70% dos adultos receberam a primeira dose da vacina contra o coronavírus.

“Os Estados Unidos estão mais avançados na reabertura que a gente. Será que eles são o que a gente vai ser daqui a pouco, no sentido de que o que está acontecendo lá vai acontecer aqui?”, especula o economista-chefe da Pacifico.

Veja a live completa aqui: Inflação: como proteger a sua previdência privada.

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Publicado por blogicatu

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