mulher andando com o homem na cadeira de rodas em um parque

Quais são as doenças que aposentam?

Índice

Segundo as regras do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), determinados quadros de saúde podem levar à concessão da aposentadoria por invalidez. Porém, aqueles que se aposentam precisam cumprir mais condições que apresentar sintomas das doenças.

Na verdade, é necessário atender a outros critérios, como a incapacidade de continuar trabalhando. Ao mesmo tempo, há diversos quadros que podem interferir diretamente na capacidade de cumprir as funções profissionais.

A seguir, veja quais são as doenças que podem levar à aposentadoria por invalidez e entenda quais são os critérios.

Quem tem direito à aposentadoria por invalidez?

A aposentadoria por invalidez também é conhecida como benefício por incapacidade permanente. Ela é concedida às pessoas que ficam incapacitadas de retornar ao trabalho, seja por alguma doença ou por acidente, decorrentes ou não do trabalho.

Note que a pessoa precisa estar totalmente incapacitada para o trabalho. Logo, a realização de atividades laborais pode levar à suspensão do benefício, já que essa condição deixa de ser atendida.

Entre as pessoas que podem obter esse benefício estão os segurados do INSS, como empregados com carteira INSS e contribuintes individuais. Os segurados especiais, incluindo trabalhadores rurais e profissionais em regime de economia familiar, também podem acessar essa alternativa.

Quanto aos requisitos, há uma carência de 12 contribuições para solicitar o benefício. No entanto, há exceções, como no caso de certas doenças graves ou de acidentes. Assim, o período de carência é dispensado — falaremos mais sobre isso daqui a alguns tópicos.

Também é obrigatório ter vínculo com a Previdência Social no momento de identificação da incapacidade. Ou seja, é preciso ser contribuinte ou estar em período de graça antes de a incapacidade ocorrer. Não é possível ser diagnosticado com a doença e só então se tornar contribuinte para acessar a aposentadoria por invalidez, por exemplo.

Critérios analisados para a concessão da aposentadoria por invalidez

A concessão da aposentadoria por invalidez envolve diversos critérios considerados pelo INSS. Um desses pontos é a avaliação de incapacidade, que consiste em compreender se a pessoa realmente não consegue realizar suas atividades profissionais.

Essa análise é feita por meio de uma perícia médica, que é agendada a partir da solicitação do benefício. Além dela, entretanto, há a análise da avaliação médica e necessidade de tratamento. Logo, a apresentação de laudos e exames serve para comprovar a condição de saúde.

A documentação médica, no geral, serve como um complemento para a avaliação realizada na perícia. Assim, se houver a identificação de que a pessoa não tem condições de continuar trabalhando, o benefício pode ser concedido.

Como uma doença é considerada grave para o INSS?

O INSS considera graves as doenças que têm alto impacto na capacidade do segurado em desempenhar suas atividades laborais, além de exigirem tratamento prolongado ou permanente. Um quadro também é classificado pelo INSS como grave diante da sua imprevisibilidade de ocorrência.

Porém, é importante notar que não basta ser diagnosticado com uma doença grave para ter direito à aposentadoria por invalidez. Os portadores de condições graves se aposentam apenas quando a condição de saúde é incapacitante o bastante para impedir o retorno ao trabalho.

Mesmo assim, o INSS tem uma lista de doenças que permitem a dispensa do cumprimento de carência. Ao conhecer quais são esses quadros, você entenderá melhor quais situações podem levar à concessão facilitada do benefício.

Doenças que causam aposentadoria por invalidez

De modo geral, não existe uma lista de doenças que aposentam por invalidez. Na verdade, qualquer doença pode conceder o benefício desde que os critérios sejam observados.

Ou seja, não basta o quadro ser grave se ele não causar incapacidade para o trabalho ou reabilitação de função. Da mesma forma, não basta apresentar a condição médica se ela não for acompanhada do vínculo com a Previdência Social.

O que existe é que algumas doenças são mais prováveis de tornar uma pessoa incapaz de trabalhar. Com isso, vale a pena entender como elas afetam a capacidade laboral e quais são os critérios do INSS para esses casos.

A seguir, mostramos melhor como as condições de saúde podem levar à obtenção do benefício. Note também que as informações de saúde foram obtidas junto a fontes confiáveis, como a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.

Continue a leitura para entender melhor essas condições.

Doenças neurológicas

As doenças neurológicas costumam afetar as funções cerebrais e cognitivas, tanto de forma aguda quanto degenerativa. Por causa dessas doenças, é bastante comum que as pessoas se tornem incapazes de realizar suas atividades profissionais.

Um desses quadros é a esclerose múltipla. Essa é uma condição autoimune que afeta a estrutura das fibras nervosas. Com o tempo, a comunicação entre o cérebro e outras partes do corpo fica prejudicada, podendo levar à fraqueza muscular, problemas de coordenação, déficits cognitivos e mais, e tudo isso afeta a capacidade de trabalhar.

Já a doença de Parkinson é um quadro degenerativo que interfere, principalmente, no movimento do corpo. A ocorrência de sintomas como tremores mesmo em repouso e perda de equilíbrio aumenta o risco de acidentes no trabalho e inviabiliza a realização de tarefas motoras.

A epilepsia é uma doença neurológica que se caracteriza por crises de atividade anormal do cérebro. Além das crises convulsivas e da perda de consciência, podem ocorrer sintomas como alterações de comportamento e confusão temporária. Quanto ao trabalho, a doença aumenta o risco de acidentes e ainda gera diversas limitações na realização de atividades.

Doenças psiquiátricas

As doenças psiquiátricas também podem causar invalidez permanente e levar à concessão desse benefício. No geral, isso acontece porque elas interferem diretamente no cotidiano das pessoas e, em quadros graves, impactam profundamente a realização de atividades.

A esquizofrenia, por exemplo, é uma doença mental que interfere no comportamento, nos pensamentos e nos sentimentos das pessoas. Há diversos indivíduos que enfrentam até delírios e alucinações, tornando inviável — e até perigosa — a realização de diversas atividades, inclusive no trabalho.

O transtorno bipolar é uma condição que gera mudanças extremas no humor e no comportamento. Os sintomas variam entre estados de mania, como euforia e impulsividade, e os quadros depressivos, como tristeza profunda e pensamentos suicidas.

Para o trabalho, essa condição psicológica costuma ser incapacitante em ambas as fases. Com isso, quem tem esse tipo de doença pode ter que recorrer à aposentadoria por invalidez.

Também vale destacar a depressão grave. Essa condição é marcada por sintomas como apatia, perda de interesse, tristeza profunda e dificuldade de concentração. Em casos que impactam a capacidade de trabalho, pode ser concedida a aposentadoria por depressão.

Nesses e em outros quadros, é comum haver uma avaliação psiquiátrica no processo de concessão do benefício. Além do diagnóstico da condição, é preciso realizar tratamentos e, por fim, comprovar que a doença incapacita permanentemente o segurado para o trabalho.

Neoplasias malignas

A neoplasia maligna ou câncer é uma condição que, dependendo das suas características, pode levar à aposentadoria por invalidez. Potencialmente, qualquer tipo de câncer pode gerar incapacidade permanente para o trabalho — e isso depende do seu estágio e do nível de agressividade da doença.

O câncer de pele, por exemplo, pode ter um impacto menor na capacidade laboral permanentemente, especialmente se é descoberto precocemente. Já o câncer de pulmão pode afetar diretamente a capacidade respiratória, interferindo com mais intensidade na capacidade de execução de tarefas.

Outro exemplo é o câncer de mama, que costuma exigir cirurgias de grande porte e tratamentos mais agressivos. A leucemia, por sua vez, pode levar à necessidade de transplante de medula e causar efeitos permanentes na saúde.

Em geral, os cânceres mais agressivos (com taxa de crescimento mais rápida) ou que já estão avançados são os que levam à concessão de aposentadoria por invalidez. Mesmo que seja possível obter a cura, esse tipo de quadro tende a gerar sequelas e sintomas permanentes que afetam a capacidade de trabalho.

Os efeitos dos tratamentos também podem ser considerados. Alguém que passe por um tratamento que envolve a retirada definitiva de um órgão, por exemplo, pode se tornar inapto para o trabalho e conseguir a aposentadoria.

Doenças respiratórias

As doenças respiratórias estão relacionadas ao funcionamento geral desse sistema, incluindo os pulmões. Na prática, a perda de capacidade respiratória afeta diretamente a capacidade de trabalho. A baixa oxigenação, a ocorrência de tosse persistente e a falta de ar são apenas alguns sintomas que limitam ou inviabilizam a realização de certas atividades.

Uma das doenças respiratórias que pode levar à aposentadoria por invalidez é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Ela se caracteriza pela obstrução das vias aéreas, podendo até mesmo levar à necessidade de transplante pulmonar.

Já a fibrose cística é causada pela cicatrização excessiva do tecido pulmonar, dificultando a oxigenação das células. Essa condição pode gerar muito desconforto e fazer com que até atividades simples sejam difíceis de serem executadas.

Vale notar que essas e outras doenças pulmonares podem ser causadas ou agravadas pela exposição a certos elementos no ambiente de trabalho. Se for o caso, a condição é considerada uma doença laboral e consta como acidente de trabalho, eliminando a carência exigida para obter a aposentadoria.

Doenças reumáticas

As doenças reumáticas são aquelas que afetam músculos, cartilagens, articulações e outros tecidos conjuntivos. É muito comum que elas causem bastante dor e, inclusive, prejudiquem a capacidade de realizar tarefas, levando à incapacidade no trabalho.

Um exemplo é a artrite reumatoide, que se caracteriza pela inflamação nas articulações. Sintomas como rigidez nas áreas articulares, inchaço e deformidades interferem na mobilidade e na realização de diversas funções.

Quem tem fibromialgia aposenta por invalidez quando essa condição inviabiliza a manutenção das atividades laborais. Isso pode ocorrer por sintomas como dores constantes e generalizadas, e problemas de concentração devido a esse desconforto.

O lúpus é uma doença autoimune que pode afetar diversas partes do corpo, causando desde erupções cutâneas a quadros cardíacos ou pulmonares. Ela ainda pode causar doenças secundárias graves, como o mau funcionamento dos rins, e as complicações de saúde podem comprometer a capacidade de trabalho.

Doenças cardíacas

As doenças cardíacas estão relacionadas ao mau funcionamento do sistema cardiovascular, afetando o funcionamento de todo o organismo. Essas são condições que costumam ser graves e interferir diretamente na capacidade de realização de tarefas, tanto aquelas do cotidiano quanto no trabalho.

As cardiopatias, de modo geral, são as doenças que afetam diretamente o coração e suas estruturas, como válvulas, músculos e membranas. Alguns dos sintomas comuns são falta de ar, dor no peito, fadiga e até desmaios. Eles tornam o trabalho especialmente inseguro e limitam a capacidade geral de cumprir funções profissionais.

Enquanto isso, a insuficiência cardíaca se caracteriza pelo fato de o coração não conseguir bombear sangue o bastante para todas as partes do corpo. Essa condição pode gerar palpitações, arritmia, fraqueza, falta de ar e mais. Em alguns casos, ela pode levar a paradas cardíacas.

Nesses casos de saúde, é comum haver uma análise das limitações funcionais a partir da documentação médica e da perícia. Se os tratamentos não forem eficazes em superar as limitações, por exemplo, a aposentadoria pode ser concedida.

Aposentadoria por invalidez sem carência: quais doenças possibilitam isso?

Apesar de qualquer comorbidade poder levar ao pagamento de aposentadoria por invalidez, existe uma lista com doenças que extinguem a necessidade de cumprir carência para solicitar esse benefício.

Após uma atualização da Portaria Interministerial MTP/MS n.° 22/2022 à Lei n.º 8.2313/1991, essas são as doenças que isentam do cumprimento de carência:

  • Tuberculose ativa;
  • Hanseníase;
  • Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental;
  • Neoplasia maligna;
  • Cegueira;
  • Paralisia irreversível e incapacitante;
  • Cardiopatia grave;
  • Doença de Parkinson;
  • Espondilite anquilosante;
  • Nefropatia grave;
  • Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante);
  • Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids);
  • Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada;
  • Hepatopatia grave;
  • Esclerose múltipla;
  • Acidente vascular encefálico (agudo); 
  • Abdome agudo cirúrgico.

Note que ainda é preciso comprovar a ocorrência de critérios como a gravidade e os efeitos na realização do trabalho

Como pedir aposentadoria por invalidez?

Para solicitar a aposentadoria por invalidez é essencial saber que não há como pedir o benefício diretamente. Em vez disso, o caminho envolve solicitar, a princípio, o auxílio-doença, para avaliação médica na perícia.

Dependendo das condições de saúde, o auxílio-doença pode ser renovado e, posteriormente, convertido em aposentadoria por invalidez. Porém, em certas situações, a aposentadoria pode ser concedida pela gravidade do problema.

A solicitação pode ser feita por diversos canais do INSS, como pelo aplicativo Meu INSS, pelo número 135 ou em uma agência física. Você deverá apresentar documentos como:

  • documentação de identificação como RG válido;
  • carteira de trabalho;
  • comprovante de residência.

Em seguida, a perícia médica será agendada. Nela, você deverá levar laudos médicos, exames, encaminhamentos e toda a documentação que ajude a comprovar sua condição de saúde.

Após a solicitação, o INSS terá até 45 dias para conceder ou negar o benefício. Se o pedido for indeferido, você poderá entrar com um recurso administrativo em busca de reverter a situação. Para casos assim, contar com a ajuda de um advogado especialista em Direitos Trabalhistas ou aposentadoria.

Como funciona a perícia do INSS?

A perícia do INSS tem como principal objetivo avaliar se uma pessoa se encaixa nas condições de invalidez permanente. Para isso, o perito realiza uma série de avaliações, desde a entrevista com o paciente até a análise da documentação médica apresentada.

Do ponto de vista do segurado, a preparação para a perícia do INSS tem a ver com a reunião da documentação necessária. Pode ser preciso solicitar laudos para especialistas ou outras informações detalhadas. Em geral, quanto mais dados você apresentar, mais fácil é comprovar a condição.

Durante a perícia em si, é essencial ser honesto sobre as limitações que a doença causa no dia a dia. Explicar a evolução do quadro, os tratamentos realizados e os efeitos dele ajudará o perito a montar sua conclusão.

A constatação da incapacidade para o trabalho pelo perito médico é essencial para a concessão do benefício. Porém, saiba que a aposentadoria por invalidez não é definitiva. Com isso, as pessoas que se aposentam com base nos impactos de doenças graves precisam passar periodicamente por novas perícias para comprovar que a incapacidade se mantém.

Como comprovar a incapacidade para trabalho?

Como você viu, é necessário comprovar a incapacidade permanente para trabalhar ou ser reabilitado. Nesse caso, a apresentação da documentação médica é indispensável, incluindo:

  • laudos médicos;
  • exames complementares;
  • relatórios detalhados;
  • documentos referentes aos tratamentos.

Nesse sentido, os médicos e especialistas têm um papel fundamental não apenas em diagnosticar o quadro, mas em detalhar a evolução da condição e seus impactos nas atividades do cotidiano e tarefas profissionais.

Como ter proteção completa para você e sua família?

Conforme dissemos, a aposentadoria por invalidez é concedida para pessoas cujas doenças geram incapacidade para o trabalho. Porém, a concessão desse benefício não é imediata, sendo preciso enfrentar um processo que pode durar mais de um mês.

Além disso, a perícia médica nem sempre é favorável, o que leva ao indeferimento do pedido para obter o benefício. Para ter mais segurança, previsibilidade e longevidade financeira, o ideal é contar com soluções complementares.

Na hora de planejar a aposentadoria, por exemplo, você pode contar com um plano de Previdência Privada da Icatu Seguros para complementar financeiramente a Previdência Social. Com esse investimento de longo prazo, você define o quanto deseja investir por mês e quando deseja usufruir dos recursos.

Você também decide se prefere obter o pagamento de uma só vez ou periodicamente, complementando uma eventual aposentadoria por invalidez, por exemplo.

Também é possível contar com o Seguro de Vida. Com essa solução, você e seus beneficiários têm mais proteção em diferentes situações, incluindo a incapacidade temporária ou permanente.

Os produtos da Icatu Seguros podem ajudar você e sua família a complementar a renda, especialmente diante de uma situação imprevista de doença grave e invalidez. Se for preciso parar de trabalhar subitamente, por exemplo, ter uma Previdência Privada o ajudará a manter o equilíbrio financeiro e o padrão de vida.

Já com o Seguro de Vida, será possível receber a indenização para realizar tratamentos ou adaptações em casa, conforme a necessidade. Com esses recursos disponíveis, você sofrerá menos impactos no orçamento familiar e terá muito mais tranquilidade financeira para cuidar do que é mais importante: você!

Ao longo deste artigo, você descobriu que pessoas com doenças incapacitantes se aposentam por invalidez pelo INSS ao cumprir os requisitos definidos. Porém, é essencial manter um bom planejamento para lidar melhor com esse tipo de situação e não depender apenas da Previdência Social.

Quer continuar aprendendo? Conheça e entenda mais sobre os diferentes tipos de aposentadoria que existem.

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