Planejamento previdenciário: o que é e como fazer?

Por Paula Lopes

A imagem é de um homem ou uma mulher de cabelos grisalhos ao ar livre. Olhar sereno, sorriso largo, alma leve. Há explícito ali o espírito do dever cumprido após uma vida inteirinha de trabalho, uma completa sensação de liberdade e a satisfação de, enfim, poder usufruir de uma vida tranquila e de um descanso justo

Essa é a representação emblemática de uma aposentadoria publicitária que nem todos os brasileiros desfrutam. Mas não é nada impossível e pode ser mais que um sonho. Ficou  interessado? 

Então, acompanhe, neste artigo, as explicações sobre planejamento previdenciário e entenda como ele é essencial nesta conexão. Protagonizar uma vida ideal na aposentadoria, tem a ver com fazer suas escolhas, no presente, alinhadas com seu planejamento de futuro

O que é planejamento previdenciário? 

O planejamento previdenciário é o estudo de toda a vida profissional e contributiva de um trabalhador. Faz-se a análise de sua idade, tempo de serviço, tipos de atividades exercidas, valores das contribuições, legislação e uma série de outras informações, como o tipo de vínculo empregatício, períodos de afastamentos ou invalidez. Com todos os dados em mãos, projeta-se cenários possíveis para este trabalhador se aposentar. 

O objetivo comum da maioria converge quase que invariavelmente para conseguir o melhor benefício no menor tempo possível. Pode parecer simples, mas a realidade não condiz. Cumprir com todos os quesitos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e exigências da lei previdenciária, não é fácil. Há regras e condições distintas para algumas categorias profissionais da iniciativa privada e pública, como também há especificidades para autônomos e empreendedores, além de mudanças constantes na lei. 

A complexidade deste cenário pode ganhar novos entraves em se tratando de um serviço público no Brasil. Mais um incentivo para você fazer seu planejamento previdenciário.   

Por que fazer um planejamento previdenciário? 

O planejamento previdenciário orienta as escolhas mais vantajosas e alerta para os fatores que trazem prejuízos como alguns erros e inconsistências que impactam o valor base usado para o cálculo da aposentadoria. Como exemplos, temos: 

  • recolhimentos desnecessários que se tornam investimentos perdidos; 
  • contribuições abaixo do valor obrigatório que são desconsideradas no cálculo do benefício; 
  • uso do código errado para registrar os recolhimentos; 
  • períodos com contribuição normal, mas com erro, inconsistência ou sem o respectivo registro formal no CNIS*. 

A lista é ainda maior e conta com recentes mudanças na legislação. As últimas foram promulgadas em novembro de 2019 com diversas alterações, incluindo nova fórmula para cálculo do benefício, alteração no requisito de idade mínima, além de diferentes regras de transição, para citar algumas. 

Este cenário, somado aos trâmites administrativos, podem causar conflitos burocráticos com potencial para reduzir o valor ou até adiar a autorização do benefício. 

O planejamento previdenciário organiza e acomoda todas essas situações de forma preventiva, trazendo mais tranquilidade e segurança para quem busca o benefício.  

A importância do planejamento previdenciário

Ter um planejamento previdenciário é muito importante para não deixar tudo para a última hora, isso nem sempre dá certo.

O recomendado é considerar a aposentadoria como um tema vivo na sua vida muito antes dela acontecer. Tenha o hábito de organizar seus documentos e buscar informações junto à previdência, mantendo-se sempre atualizado.

Mas você sabe o que é importante arquivar? Quais informações são essenciais?  Vamos ajudá-lo com essas orientações para que comece sua missão. Anote aí: 

  • tipo de atividade; 
  • idade; 
  • valores de recolhimento; e 
  • tempo de contribuição.

Esses são os quatro elementos base. A partir deles, faz-se as projeções de quando e quanto receber

Para quem nunca dedicou tempo ao tema e já está há algum tempo na estrada, a recomendação dos especialistas, é que a organização dos documentos necessários comece entre 30 e 35 anos. 

Quem não se organiza, corre o risco de passar por situações que podem transformar um pedido de aposentadoria numa grande decepção. O planejamento previdenciário pode evitar isso, facilitando a solução.  

Veja a seguir algumas situações recorrentes: 

Documentação inconsistente 

Lembre-se que estamos tratando de um processo que remonta a história profissional de uma vida. Toda a documentação que comprova as informações de 30 anos atrás deve estar pronta quando solicitada. As inconsistências aqui podem resultar num pedido de aposentadoria negado ou em um vai e vem moroso e ineficiente.  

Atraso na solicitação do benefício 

Nem todo mundo faz contagem regressiva para se aposentar. Tem gente que perde o prazo para solicitar o benefício e o atraso traz prejuízo. Imagine sua jornada de trabalho se estendendo por 18 meses além do necessário. Este é um tempo perdido em que você já teria o direito de ser remunerado pela aposentadoria, independentemente, de estar ativo no seu trabalho em tempo integral.  

Antecipação na solicitação do benefício 

Entrar com o pedido de aposentadoria antes do tempo também pode gerar prejuízo financeiro. O pedido será negado e o tempo gasto nesse trâmite não é remunerado. Imagine que este período demore 8 meses e o tempo correto para a entrada do seu pedido fosse a partir do terceiro mês. O seu prejuízo será de 5 meses de remuneração. 

Contribuição acima do necessário  

Não se iluda, aumentar o valor da sua contribuição ou considerar o valor máximo do benefício, não garante o aumento da sua renda no cálculo final. Fique atento para não jogar dinheiro fora.  

Valor menor do que o compatível 

Já imaginou trabalhar uma vida inteira e no momento de se aposentar receber um benefício com valor menor? Acontece. Para fazer o cálculo justo e correto é preciso conhecer as regras e meandros da lei


Os estudos do Planejamento Previdenciário trazem diferentes cenários e a oportunidade de que você decida pela melhor aposentadoria possível. Se tiver dificuldade de fazer sozinho, conte com a ajuda de um especialista

Essas situações podem ser evitadas com um bom Planejamento Previdenciário que assegura que o processo de solicitação do benefício aconteça no tempo e com os valores corretos a sua situação. 

Como fazer um planejamento previdenciário

É essencial que você não deixe o seu planejamento previdenciário para depois, pois quanto mais cedo começar maiores são as chances de conseguir as melhores vantagens.

Até aqui, além de explicar do que se trata e quais as vantagens em se fazer um planejamento previdenciário, trouxemos diversos exemplos de como a dinâmica de um pedido pode evoluir na realidade. Você já sabe que, quando não há organização e conhecimento da lei, documentos, prazos e valores de contribuição podem dar trabalho. Agora já pode evoluir, assimilando outros aspectos que possibilitam dar forma e profundidade para seu planejamento previdenciário. Preparado para avançar?  

Valor do benefício x Tempo

Se todos pudessem escolher, ganhar mais em menos tempo, seria unanimidade. Mas, normalmente, essas forças trabalham em sentido diretamente proporcional e será preciso que você tenha consciência de onde está e onde quer chegar para tomar a melhor decisão. Avalie seu histórico profissional e sua situação atual.

Não há certo ou errado aqui, mas tenha muita atenção e reflita bastante sobre a decisão que tomar, pois vai durar até o final da vida.  

Cenários e tendências 

Estamos num momento propício para o exercício de criar novos cenários. Este recurso é usado para amadurecer a tomada de decisão e garantir a precisão da escolha. Então, mesmo que já tenha decidido seu modelo de aposentadoria, desenvolva, pelo menos, mais três cenários para uma prova real, garantindo que sua escolha traga a condição mais favorável para atingir o objetivo determinado. 

Apuração do histórico de contribuições 

Além das questões base, temos outras de suma importância no momento da análise. Veja abaixo:

1. Quanto tempo de contribuição já foi acumulado? 

Esse dado pode ser obtido por meio de consulta ao extrato de vínculos e contribuições à Previdência, acessível pelo Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).   

2. Quantos meses de carência restam? 

3. Houve algum período com vínculo empregatício, mas sem as devidas contribuições? 

4. Os valores registrados no sistema oficial de Previdência estão corretos? 

5. Houve períodos intercalados de benefício por incapacidades temporárias? 

6. No caso de autônomos, houve algum intervalo sem recolhimentos? 

7. Caso não tenha sido acumulado o tempo exigido, o que é possível fazer para alcançá-lo? 

Projeções x Garantias do Valor  

Apesar de todo o planejamento, organização e cuidados com a documentação, não há como garantir o valor exato de uma aposentadoria. Fatores externos, como a recente reforma da previdência (2019), produzem interferências na análise. Então, tenha o valor projetado, mas conte sempre que ele pode mudar. 

O que é e como funciona o sistema previdenciário brasileiro? 

Um dos maiores objetivos de fazer um planejamento previdenciário é poder chegar na terceira idade saudável e aproveitar a vida.

No Brasil, o sistema previdenciário é composto por três pilares: a previdência social, a previdência complementar aberta e a previdência complementar fechada. Até o momento, ao falarmos sobre o Planejamento Previdenciário, consideramos apenas a perspectiva da Previdência Social. Vamos passar por cada uma delas agora. 

Previdência Social 

A Previdência Social é mantida pelo Governo Federal e suas regras tem sofrido mudanças no Brasil (e no mundo todo) em razão de alterações no perfil da população.

Vamos explicar: a contribuição é obrigatória e mensal para todos os trabalhadores formais, de carteira assinada (nesta condição, o pagamento é feito pela empresa empregadora). Os trabalhadores que pertencem a outras classes, como os MEIs, autônomos, trabalhadores avulsos e até desempregados e estudantes podem contribuir por contra própria, mas é opcional. 

Essa arrecadação tem efeito distributivo. Isso quer dizer que o dinheiro não é usado para fazer uma poupança, ele é usado para pagar o benefício dos trabalhadores aposentados.  

O que acontece há algum tempo e tende a se agravar é uma redução no volume de trabalhadores contribuintes de forma que a arrecadação total é cada vez menor. Ao mesmo tempo, a população aposentada é cada vez maior. Essa condição torna a dinâmica desta previdência insustentável.  

As mudanças recentes na previdência, alteraram a idade mínima permitida para homens e mulheres solicitarem aposentadoria e o período mínimo de contribuição. Hoje, não vamos abordar as regras, mas vamos seguir a explicação dos outros pilares.

Vale registrar que a renda mensal da aposentadoria, nesta modalidade, dificilmente possibilita ao beneficiário manter aquele status publicitário descrito no primeiro parágrafo. Porém, o trabalhador que contribui com o INSS possui outros benefícios agregados, como o seguro desemprego, seguro em caso de invalidez, morte e doença. Estes benefícios são muito valorizados pelo trabalhador. 

Previdência Complementar Aberta 

No seu planejamento previdenciário você deve avaliar qual previdência pode te trazer os melhores benefícios.

Este tipo de previdência, como o próprio nome diz, é complementar e particular, oferecida por bancos, instituições financeiras ou previdenciárias. As empresas que fornecem esse serviço são reguladas pela Susep (Superintendência de Seguros Privados). Existe uma grande variedade de planos nesta categoria. É importante conhecer suas regras, composição e taxas de administração

A adesão a previdência privada, no Brasil, ainda é baixa, seja por falta de conhecimento, planejamento financeiro ou condições em investir. Nesse cenário, onde os recursos são escassos, ter um olhar apurado para as finanças torna-se ainda mais importante. O valor desta previdência irá formar seu patrimônio individual, uma renda planejada para garantir seu conforto e segurança no futuro

Previdência Complementar Fechada 

Aqui temos mais uma opção de previdência privada complementar. Para ter acesso a ela é preciso que você seja funcionário de uma empresa ou organização que ofereça este plano específico.

Nesta categoria, não existe objetivo de gerar lucro de forma que as taxas cobradas têm a função de manter a estrutura administrativa necessária e, por esta razão, tendem a ser bem menores que a previdência complementar aberta. 

Podem ser de 3 tipos: 

  • Benefício definido (benefício definido no momento da adesão); 
  • Contribuição definida (benefício definido somente no momento da concessão); e 
  • Contribuição variável (misto das modalidades anteriores valendo como contribuição definida durante a contribuição e como benefício definido durante a concessão).  

Aqui o valor do benefício estimado pode sofrer variações em razão da inflação ou legislação, por exemplo. 

O Planejamento previdenciário é um tema que nos possibilita abordar vários desdobramentos. Mas, a mensagem principal que deve ser reforçada aqui: previdência não é uma pauta para o futuro, quando estiver em vias de se aposentar. Organize-se e acompanhe seu status, desde já, para evitar complicações justo no momento em que você decide parar de trabalhar e descansar.

*CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais): Extrato previdenciário com todos os vínculos trabalhistas e previdenciários constantes.

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Publicado por Paula Lopes

Paula Lopes possui mais de 12 anos de experiência em curadoria e produção de conteúdo, gestão de canais, implantação de plataformas digitais, campanhas de engajamento e eventos motivacionais para o público interno de empresas de diferentes segmentos e portes.

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