Você tem resiliência financeira?

Por gisellevasconcellos

Para marcar a data da Semana da Educação Financeira, a Icatu convidou o professor Fábio Gallo, professor de finanças da FGV-SP e autor de vários livros sobre o tema para falar sobre resiliência financeira no canal da Icatu no YouTube. Leia aqui os principais destaques.

Fábio Gallo começou  explicando a origem da palavra resiliência, que vem do grego, “hygrós”: aquilo que se dobra e volta à mesma posição quando a causa passar. “Resiliente é a pessoa que tem a capacidade de lidar com seus próprios problemas, de superar os momentos difíceis e não ceder à pressão. Ser resiliente é saber lidar como uma situação ruim da nossa vida e sair dela melhor do que antes”, explicou ele. Resiliência financeira, então, é a capacidade de lidar com os problemas financeiros e dar a volta por cima. Ele deu como exemplo um coqueiro na praia: “Quando vem uma tempestade, o coqueiro dobra, dobra, mas resiste. Quando o vento passa, ele volta para a posição”.

Segundo o economista, essa pandemia nos afeta tanto psicológica como financeiramente. Por isso, nessa hora, ser resiliente é um comportamento fundamental. “A pandemia está provocando uma grande crise econômica no país como um todo e nas famílias, o que está levando a conflitos. Em casa onde falta o pão há desunião. Se somos resilientes tendemos a ter uma vida familiar mais harmoniosa”, afirmou.

Como chegar lá?

Uma das características das pessoas resilientes é que elas são otimistas. Isso permite que elas passem por dificuldades como queda de renda e má administração do dinheiro sem paralisar, se desesperar ou entrar em pânico. E podendo sair até melhor do que antes. “Há pessoas que, além de enfrentar os problemas, aprendem e crescem com eles. Essas são as ditas resilientes”, explicou. Segundo o especialista, elas aceitam os fatos, entendem o problema, mas depois dão a volta por cima.

E, mesmo que uma pessoa não tenha nascido com essa capacidade, é possível desenvolvê-la. O primeiro passo, segundo ele, é não ficar brigando com a realidade. “É como estar num mergulho autônomo, a 40 metros de profundidade. Claro que você não vai conseguir tirar o tubo de oxigênio e conseguir respirar. Impossível. É preciso ter calma, principalmente emocional, para poder lidar com a situação. Isso é um aprendizado. No caso de resiliência financeira, quanto mais conhecimento tivermos sobre o ambiente, mais facilmente saberemos lidar com ele”, ensinou.

A educação financeira pode vir de uma forma mais tranquila ou pela pedagogia dar dor. Para muitos agora, infelizmente, foi pela dor, disse Gallo. As famílias perderam rendas, os autônomos ficaram numa situação muito difícil. Mas o fato é que o brasileiro passou a ter mais cuidado com as finanças e o nível de poupança aumentou no país. “Tivemos crescimento do saldo líquido, depósitos na caderneta de poupança, mais participação das pessoas e crescimento de pessoas físicas na bolsa de valores. Isso foi algo positivo que fez as pessoas aprenderem como trabalhar com suas finanças”, explicou.

Gallo falou também sobre os rumos da economia e deu um conjunto de dicas financeiras para tempos de crise. Segundo ele, as iniciativas podem dar trabalho no início, mas depois viram hábito e trazem tantos benefícios que se tornam algo prazeroso. E encerrou o encontro com uma grande lição: “As famílias que dizem ter um alto grau de bem-estar não são aquelas necessariamente mais ricas, mas as que vivem de acordo com o que planejaram”.

Cuidados financeiros em tempos de crise!

  • Organize-se. Planeje-se. Estabeleça seus objetivos financeiros de forma clara. Prepare seu orçamento familiar.
  • Tenha dedicação e persistência para guardar dinheiro. Seja firme.
  • Busque conhecimento. Entenda o mercado. Informe-se sobre as alternativas de investimento. Conheça os diversos produtos financeiros disponíveis.
  • Quem tem carteira de trabalho assinada precisa ter em conta que, em tempos de crise, o desemprego pode bater à porta. É preciso ter mais cautela na hora de gastar.
  • Pessoas que trabalham de forma autônoma e independente, que têm maior volatilidade da receita, precisam ser ainda mais previdentes e ter maior controle sobre o orçamento.
  • Busque ajuda. Conte com o apoio de especialistas, seja do ponto de vista psicológico ou de finanças. Procure quem entende do assunto para ajudar você a viver melhor.

Assista aqui o vídeo completo do professor Fábio Gallo, no canal da Icatu no YouTube

Publicado por gisellevasconcellos

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