De frente com o gestor: Conheça a Trígono - Blog Icatu Seguros

De frente com o gestor: Conheça a Trígono

Por blogicatu

Criado em julho de 2020 para clientes de PGBL e de VGBL, o fundo Trígono Icatu 100 Previdenciário alcançou a expressiva rentabilidade de 59,40% nos últimos 12 meses (fechamento de outubro de 2021). Apenas a nível de comparação, o Ibovespa no período foi de 10,16%.

Para falar do que está por trás do sucesso desse fundo composto por small caps, conversamos com Frederico Mesnik, um dos sócios da Trígono Capital, gestora do produto.

Para quem ainda não está familiarizado, small caps são ações de empresas que têm uma capitalização de mercado menor do que a dos nomes mais tradicionais da bolsa de valores, como Vale, Petrobras, Itaú e Gerdau, conhecidas como “blue chips”. 

Referência em small caps

Uma aposta no longo prazo, que continua rendendo bons dividendos. A frase poderia iniciar um texto sobre o mercado de ações, mas na verdade define bem a amizade entre Frederico Mesnik e Werner Roger. Hoje sócios, eles se conheceram em 1989, na capital paulista.

Compartilhando durante muitos anos o desejo não realizado de trabalhar juntos, finalmente em 2017 eles resolveram ter o mesmo CNPJ: assim nascia a Trígono Capital.

A preferência por small caps tem explicação: Werner, o CIO (Chief Investment Officer), que lidera a equipe de investimentos e foi inúmeras vezes citado durante a entrevista, há anos é uma referência nesse tipo de ativo no mercado de ações.

“Werner foi se especializando em small caps por conta de sua própria filosofia de investimentos. Como ele tem uma metodologia ligada a valor no longo prazo, estratégia de investimento também conhecida como value investing, com o passar do tempo, ele foi naturalmente encontrando mais valor, mais oportunidades de negócio nas empresas menores”, explicou Frederico. 

Com R$ 2,2 bilhões sob gestão e cerca de 90 mil clientes, a Trígono é hoje a maior gestora de small caps do mercado brasileiro. Em parceria com a Icatu, foi lançado no ano passado o Trígono Icatu 100 Previdenciário, exclusivo para investidores qualificados, ou seja, clientes que têm pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras ou uma certificação de investidor qualificado aceita pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). As aplicações estão abertas a partir de R$ 5 mil reais.

Rentabilidade do fundo surpreende

Chama a atenção a ótima rentabilidade do Trígono Icatu 100 nos últimos 12 meses e também neste ano, mesmo em meio a uma fase bastante turbulenta para as ações brasileiras. 

“Por que em um ano em que a bolsa cai uns 10% nosso fundo está positivo, rendendo aproximadamente 40%? Onde está essa diferença de 50%?”, perguntou Frederico. 

A resposta ele dá em seguida: “Na qualidade das empresas, que são aderentes ao ESG, que estão gerando resultados, crescendo, se expandindo. O que estamos fazendo aqui é um trabalho de seleção das melhores empresas”, explicou. ESG é a incorporação pelas empresas de práticas de sustentabilidade ambiental, inclusão social e governança corporativa – Environmental (Ambiental), Social, Governance (Governança).

Entre os critérios para a alocação de recursos está o de fugir das apostas em poucos papéis, destacou Frederico: “Não concentramos mais do que 20% em nenhuma empresa. Mas são teses de altíssima convicção. Por exemplo, se o fundo for comprar uma participação na Marcopolo (multinacional brasileira fabricante de carrocerias de ônibus), nossos gestores vão saber até a densidade da espuma de cada modelo de ônibus. O trabalho é tão detalhado que você consegue entender a empresa: quanto ela vale, para onde está indo, quais os desafios”.

As quatro principais posições do fundo hoje compõem cerca de 50% dos investimentos. Estão na lista: a mineradora Ferbasa; a Tupy, maior fundidora de blocos de motor do mundo; a Mahle Metal Leve, fabricante de autopeças; além da São Martinho, uma das usinas de açúcar e álcool mais rentáveis do país. 

“Nosso produto não tem alavancagem, derivativos. É um produto comprado, mirando sempre três anos à frente. A gente sabe escolher as melhores ações para compor a carteira. Não tem produto melhor de previdência que um fundo de ações bem gerido”, definiu. 

Ações e longo prazo

Crise da Ásia, crise da Rússia, subprime, coronavírus. Quem investe em ações há mais tempo já deve ter se acostumado com crises que fazem os papéis perderem valor de mercado rapidamente, mas também já notou que meses depois tudo volta ao normal. 

“Aprendemos que três anos é o tempo suficiente para diluir esses choques no mercado. Não há mal que dure para sempre. Tirando a Segunda Guerra Mundial e a Crise de 29, você nunca teve um período em que a bolsa ficou ‘pesada’ tanto tempo”, explicou Frederico, mandando um recado aos investidores que ainda não se acostumaram com eventuais oscilações negativas mais intensas no mercado de ações. 

“Não adianta a pessoa entrar em um fundo de previdência e na primeira chacoalhada negativa tirar o dinheiro. Tem que colocar em um bom fundo de renda variável com um bom gestor e esquecer. Não adianta ficar olhando todo dia porque o cara vai ficar louco. Deixa o gestor trabalhar. É a mesma coisa que você ir ao médico para fazer regime e ficar se pesando toda hora. Não vai emagrecer”, comparou.

Por que “Trígono”?

A gestora foi batizada durante uma conversa dos dois amigos. Werner disse que desejava fazer um alinhamento perfeito entre os clientes, os interesses da gestora e as empresas. Ou seja: um triângulo perfeito, equilátero. Foi quando Frederico arrematou: “Isso em astrologia se chama trígono.” 

A gestora se apoia em três vértices. Um dos vértices é a sustentabilidade. Sua metodologia avalia as práticas ambientais, sociais e de governança das empresas que são escolhidas para fazer parte de seus fundos — o conceito ESG. 

O segundo vértice também tem três letras: EVA, sigla em inglês que pode ser traduzida para Valor Econômico Adicionado, uma ferramenta para determinar o valor justo ou próprio das empresas. Com essa metodologia, é possível determinar o potencial de valorização, o momento exato de maturação e o de saída de um investimento.

Por fim, o terceiro vértice é acreditar que o principal retorno do investimento em ações no longo prazo acontece por meio dos dividendos distribuídos aos acionistas, e não exatamente pelo ganho de capital obtido com a valorização, como muita gente acredita. 

Diferentemente do valor das ações, que pode sofrer oscilação por causa de “ruídos” externos, muitas vezes infundados, os dividendos estão de certa forma “imunes” a isso porque dependem apenas de a empresa entregar bons resultados. 

Gestora é ‘ESG-raiz’

Embora sempre adote critérios ESG para escolher as empresas que farão parte da carteira de seus fundos, a Trígono prefere ser mais low profile ao tratar do assunto. 

Na entrevista, Frederico criticou o que poderia ser definido como oportunismo de parte do mercado em torno de uma “moda” do ESG. 

“O ESG está conosco desde o primeiro dia, mas a gente não fala demais disso porque para nós não tem como não ser. Recentemente, publicamos um relatório de uma consultoria independente que mediu a pegada de carbono de todos os nossos produtos, das empresas. E quanto os nossos fundos emitem de CO2 por ano”, contou.

Companhias com responsabilidade socioambiental e boa governança também são muito rentáveis, destacou Frederico: “Essas empresas têm menos risco e um retorno maior. O próprio Índice de Governança Corporativa da nossa bolsa, que não replica 100% essas questões, tem uma rentabilidade melhor que o Ibovespa”.

Ele explicou o porquê: “Qualquer problema ambiental fere a imagem da empresa, tira valor de mercado. Outra coisa é a governança. Qualquer tipo de manipulação com o acionista minoritário também afeta o valor da empresa no curto e no longo prazos. A parte social é mais difícil de medir, mas toda empresa que tem uma preocupação social atrai mais investidores”.

A Trígono não investe em companhias do segmento bélico, fabricantes de armas e de cigarros, por exemplo. “A pandemia mostrou um pouco da fragilidade do ser humano, o que despertou a sensação de perenidade: ‘Se eu não cuidar disso aqui, quem é que vai cuidar?'”, perguntou.  A amizade entre Frederico e Werner continua rendendo. Este ano, a dupla lançou um livro, “A Trigonometria dos Investimentos”. Dividida em 20 capítulos, a obra tem uma coletânea de artigos para quem quer aprender sobre small caps, psicologia dos investimentos e outros temas. Certamente, nota-se as excelentes oportunidades de investimento nesses papéis.

Para saber mais sobre a Trígono Capital, clique aqui.

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