“A maternidade é a melhor escola de negócios do mundo” - Blog Icatu Seguros

“A maternidade é a melhor escola de negócios do mundo”

Por blogicatu

Vivian Abukater, líder da maior comunidade de mães do Brasil, conta como as mulheres vêm se organizando para conciliar vida profissional com uma presença familiar ativa e carinhosa.

A Icatu promoveu uma live com Vivian Abukater, sócia da Maternativa, rede de apoio para mães em empreendedorismo e nas diversas modalidades de trabalho. Criada em 2015 e hoje com 27 mil membros, a Maternativa foi eleita pelo Facebook como uma das 100 melhores e maiores comunidades de impacto social no mundo, em 2019. A startup conecta 24 mil mães que buscam soluções para uma divisão justa do trabalho não remunerado, o aumento do número de mulheres em cargos de liderança, a melhora da experiência das colaboradoras (employee experience) e contra os clichês ligados à maternidade. Mediada por Talita Raupp, da equipe de Previdência, a live aconteceu no canal da Icatu no YouTube, no dia 6 de maio, em homenagem ao Dia das Mães. Veja um resumo dos principais trechos.

Vivian iniciou o encontro contando sua própria experiência. Após uma carreira ascendente em empresas como Souza Cruz, Vivo, Absolut e L’Oréal, a jovem executiva foi inesperadamente desligada do emprego. E o corte de pessoal na companhia veio justamente após o nascimento do seu primeiro filho. “Foi um momento para repensar minha carreira e começar a entender como eu poderia conciliar a maternidade que eu queria exercer com o tempo que eu dedicava ao trabalho”, disse a jovem, que atuou por mais de quinze anos nas áreas de marketing e comunicação, gestão de negócios e vendas. A entrada no mundo do empreendedorismo por meio da Maternativa foi um desdobramento disso.

Mães empreendedoras

Segundo Vivian, hoje mais de 24 milhões de brasileiras são empreendedoras, sendo que 75% delas são mães. “De alguma forma, a experiência da maternidade traz uma potência muito grande para a mulher. E uma dessas potências está ligada ao ato de empreender, seja por oportunidade ou por necessidade”, afirmou a ex-executiva, pós-graduada em administração pela Fia Usp e em metodologia científica da educação pelo Ibes. “As potencialidades desenvolvidas pela maternidade nos ajudam nessa jornada de montar um negócio”, explicou.

Os desafios do home office

Vivian falou também sobre as mudanças na rotina profissional causadas pela pandemia: “com o home office, todos que compartilham o cuidado de uma criança ganharam desafios adicionais gigantescos”. Segundo ela, conciliar trabalho com maternidade pressupõe criar uma rede de apoio para dividir o cuidado com os filhos. Para que os adultos possam trabalhar, os filhos precisam estar sob os cuidados de alguém, da escola, dos familiares, de outro adulto responsável. Sem poder contar com as escolas, e até com os avós que fazem parte do grupo de risco da Covid-19, a mãe que empreende, que é autônoma, estudante, pesquisadora ou que trabalha em uma empresa ficou numa situação bem difícil. “Imagine o desafio de continuar produzindo tendo o filho o tempo todo dentro de casa”, refletiu Vivian, atualmente mãe de dois meninos. Quem já trabalhava em seus próprios negócios dentro de casa aproveitava o tempo que o filho estava na escola para acelerar o serviço. Com a pandemia, esse período de alta produtividade deixou de existir. “É difícil encontrar mães ou pessoas envolvidas no cuidado das crianças nesse último um ano que não estejam cansados, que não tenham tentado todo tipo de técnica para rever a rotina da casa. Está todo mundo bem cansado, inclusive as crianças”, afirmou.

Flexibilidade não significa mais tempo

Segundo Vivian, um dos grandes equívocos das mães é pensar que como empreendedoras terão mais tempo para cuidar do filho. Elas têm, sim, mais flexibilidade na agenda. Mas o fato é que, para ter sucesso nos negócios, é preciso de muitas horas de dedicação ao trabalho. “No grupo da Maternativa é comum encontrar mães que começam o terceiro turno depois que os filhos dormem. Às nove da noite, quando as crianças vão para a cama, a mulher tem mais duas, três ou quatro horas de trabalho ainda para conseguir dar conta das demandas dos negócios. É muito importante ter essa compreensão na hora de começar um negócio”, recomenda ela.

A melhor área para empreender é a que você conhece

Vivian falou também sobre a escolha do tipo de negócio para empreender. É normal ver mulheres que decidem se aventurar em uma área nova e desconhecida. Ou seja, alguém que trabalha numa área administrativa ou de logística e decide abrir um restaurante ou atuar no ramo de estética. Em geral, esses negócios não vão adiante. Daí, essas mulheres voltam a empreender, mas nas áreas onde possuem mais conhecimento. “Não que seja proibido empreender numa área desconhecida, mas o desafio é maior”, disse. Quando você escolhe uma área inteiramente nova, além de ter todo o processo de aprendizado sobre os desafios do empreendedorismo, é preciso levar em conta o tempo de conhecimento sobre o novo universo de trabalho. “Se você quer empreender em algum ramo, procure trabalhar durante alguns dias numa empresa parecida, fazendo exatamente o que o dono faz. Veja se realmente vai gostar”, recomendou.

Controle de contas

De maneira geral, numa crise econômica prolongada como a atual, muitos segmentos sofrem impactos violentos. Segundo Vivian, nessas horas, ter uma reserva financeira faz toda a diferença. “Crises existem sempre e é importante ter à mão essa reserva de caixa”, sugeriu. E é fundamental controlar as contas. Para as pessoas que atuam num ramo altamente impactado, a dica é: “tenha a gestão financeira na mão”, disse a palestrante. Pequenas, médias e micros empresas precisam parar e fazer contas. “De onde vêm os maiores gastos do negócio? Que ingredientes ou que tipo de compras representam grande parte dos gastos? É preciso continuar renegociando, aluguéis, com fornecedores de matéria-prima… É hora de pesquisar quais são os créditos disponíveis no mercado que estão sendo oferecidos pelos governos. Muitos estados estão oferecendo ferramentas de auxílio”, lembrou. Segundo ela, o importante é olhar para os números de uma forma altamente comprometida.

Equilíbrio financeiro é qualidade de vida

Dentro de casa é a mesma coisa: é preciso ter austeridade, olhar os números, fazer contas… Segundo Vivian, isso pode ser um desconforto para muitas mulheres, mas é indispensável. “Ao ter clareza dos seus gastos e atingir o equilíbrio financeiro, você será capaz de promover melhor qualidade de vida para a família”, disse a empreendedora. Às vezes, o corte de um item pode significar uma perda de conforto momentânea, mas isso pode garantir a manutenção de outros benefícios. “A crise está aí e é uma realidade. De uma maneira ou de outra, muitas mulheres e famílias foram impactadas. Nesse momento é muito importante ter uma visão clara das contas. Parece difícil, mas essa clareza traz qualidade de vida”, afirmou.

Divisão de responsabilidades

Segundo Vivian, quando uma mãe empreende, ela tem uma preocupação que normalmente não vemos nos homens na mesma condição: a de conciliar o trabalho com o cuidado com os filhos. “É muito difícil ver alguém perguntar a um pai: Está mais difícil para você o trabalho depois que os seus filhos chegaram?”, lembrou. É muito raro também encontrar um homem que tenha feito alguma alteração significativa em sua rotina por conta do filho, seja na hora da entrada, da saída, de se ausentar para levar o filho ao médico ou participar de uma reunião escolar. Em geral, essa não é uma preocupação do pai, muito embora isso esteja mudando. Uma das iniciativas nesse caminho é o uso do termo parentalidade, que refere-se a adultos responsáveis por uma criança. São formas de estimular a divisão de responsabilidades e de tirar a carga do ombro só das mulheres.

Competências desenvolvidas pela maternidade

Entre as competências desenvolvidas pela maternidade e valiosas para o sucesso na hora de empreender está a capacidade de conduzir múltiplos projetos ao mesmo tempo. “A mulher está acostumada a conciliar diferentes interesses, os seus, os da casa, os dos filhos. Você encontra entre as mulheres gestoras incríveis, capazes de ouvir todos os lados, coordenar projetos, se organizar e empreender de uma maneira mais carinhosa com todos os envolvidos”, afirmou Vivian. “A gente ainda falha na gestão financeira e no contato com o dinheiro. Mas isso está mudando. Porque as mulheres estudam mais, vão mais atrás de informação, de conhecimento”, completou. Segundo ela, as mulheres são também excelentes pagadoras. “Se estiver devendo, ela estará muito mais angustiada em pagar a dívida do que o homem”, completou.    

Divisão sexual do trabalho

Embora isso também esteja mudando, ainda encontramos hoje uma divisão sexuada do trabalho, ligada às nossas estruturas sociais: trabalhos de homens, trabalhos de mulheres. “Isso às vezes impede um aceleramento da participação feminina em alguns ramos específicos”, disse. Com a vivência da maternidade, muitas mulheres decidem empreender no ramo infantil, no ramo de soluções para crianças. Existe também uma grande participação de empreendedoras no ramo de higiene e beleza, e no setor de alimentação. Isso não acontece por acaso. “Quando crianças, as mulheres ganham bonequinhas para cuidar, vassourinha para varrer, panelinha para cozinhar… Somos estimuladas a atuar em determinadas áreas desde muito cedo. “Isso tudo só vai mudar quando a gente não tiver uma divisão sexuada dos brinquedos. O que é brincadeira de menina, o que é brincadeira de menino?”, perguntou.

Mães possíveis

No final da live, Vivian falou sobre autoaceitação. “Tudo o que o ser humano mais deseja é ser aceito do jeito que é. Fazemos isso com os filhos mas esquecemos de nós mesmas”, disse ela, comentando que a maternidade em geral traz muita culpa.  “As mães idealizam muito”, afirmou. Segundo ela, temos que nos amar enquanto mães possíveis, porque quando uma pessoa está bem, consegue cuidar muito melhor de quem depende dela. “O que desejamos para os filhos precisamos desejar para nós também. A gente precisa se amar muito, se perdoar muito, tirar a culpa. Se empregássemos 10% do empenho que temos com os filhos, nossa vida seria muito melhor”, ensinou.

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Sobre a Maternativa: https://maternativa.com.br/

Publicado por blogicatu

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