Educação financeira infantil: 12 dicas para ensinar seu filho

Por Paula Lopes

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê o mínimo que deve ser ensinado nas escolas de todo o Brasil e, desde 2017, a educação financeira infantil entrou na lista de temas obrigatórios. Essa notícia tem potencial transformador para nossa sociedade. 

A educação financeira quando trabalhada desde a infância, forma adultos com hábitos de consumo consciente, percepção elaborada sobre seus gastos e comportamentos saudáveis frente ao dinheiro. 

Este ano (2020) era o prazo limite para que as redes de ensino adequassem os currículos da educação infantil e fundamental, de acordo com a definição do Ministério da Educação (MEC) e do Conselho Nacional de Educação (CNE).  

Esse movimento nas escolas vai ajudar muitas famílias a evoluírem a forma de tratar o tema. Nada substitui ou tem mais força do que o exemplo e as atitudes praticadas no seu lar. Por isso, neste texto queremos apresentar 12 dicas de educação financeira infantil para você começar já a executar.  

Com qual idade você deve começar a educação financeira infantil? 

As questões relacionadas ao dinheiro fazem parte do nosso dia a dia e podem ser conversadas com as crianças desde muito cedo, já nos primeiros anos de vida. O principal aqui é sabermos adequar nossa abordagem de acordo com a idade e a maturidade da criança, aproveitando sua curiosidade natural.  

Para as crianças menores que estão aprendendo a contar, mas ainda não possuem noções básicas de matemática, o recomendado é abordar o tema de forma simbólica. Uma sugestão é usar folhas de cores ou tamanhos diferentes para representar valores distintos. Aqui a imaginação é o limite para simular situações que envolvam o comprar e o consumo consciente, por exemplo. O famoso cofrinho também já pode ser introduzido.  

A partir dos 6 anos, a criança começa a exercitar com mais autonomia suas escolhas e decisões. Você já pode conduzi-la para um ambiente real, fora do plano da brincadeira. Sempre tendo um adulto como mediador, a criança pode receber um valor para comprar um sorvete ou seu doce preferido na padaria. Será que o valor será suficiente? Vale mais a pena levar um chocolate ou dez balinhas? Diversas oportunidades de explorar o tema surgirão espontaneamente.  

Aos 11 anos as crianças podem ser desafiadas com mais responsabilidade e você já pode confiar o orçamento do lanche escolar à criança.  

Em todas as idades, o importante para os pais é nunca cederem a um pedido para completarem um valor. A lição aqui passa por entender a finitude dos recursos, evoluírem na administração do dinheiro, assimilarem as vantagens do poupar e suas recompensas.   

Antes de entrarmos nas 12 dicas de educação financeira infantil, queremos reforçar que o primordial é que a criança tenha exemplos das lições que recebe em casa. Não faça nada diferente ou ao contrário do que ensina a ela.  

12 dicas de educação financeira infantil

A educação financeira infantil é fundamental para que a criança se torne um adulto consciente.

Agora vamos para as dicas que preparamos para você ajudar seu filho a ter uma boa relação com dinheiro, criando as bases para que se torne um adulto capaz de controlar seus gastos e fazer uma boa gestão de sua vida financeira. 

1. Defina uma mesada para seu filho 

A mesada é um valor fixo mensal (ou semanal, recomendado para crianças menores) dado a seu filho para que faça uso de acordo com suas próprias vontades e decisões. Ele define se gasta ou guarda, e o quê compra ou não. Com essa gestão ele tem a oportunidade de aplicar seus conhecimentos em educação financeira infantil, testando os impactos de suas decisões em uma escala controlada.  

Assim como um adulto recebe seu salário após realizar seu trabalho, é recomendado que o valor da mesada venha atrelado a algumas obrigações da casa como tirar o lixo, guardar a roupa, manter seu espaço de brincadeira e estudos organizado. 

Alguns detalhes podem tornar essa prática ainda mais eficiente: 

  • Incentive seu filho a anotar todos os gastos, assim como ele fará quando adulto ao construir um planejamento financeiro;
  • No final de cada ciclo, converse com seu filho e faça reflexões sobre as decisões acertadas e as erradas;
  • Respeite as decisões de seu filho. Caso discorde de alguma, apenas aconselhe compartilhando com ele sua experiência;  
  • Não inclua boas notas ou respeito / obediência a você como uma obrigação atrelada à mesada. A criança deve entender que algumas coisas devem ser cumpridas por educação e valores, não estão vinculadas a qualquer recompensa financeira. 

2. Mostre como você organiza o orçamento familiar 

Ao compartilhar a forma como administra as contas e o orçamento da casa, você torna real para a criança a gestão de todos os detalhes do orçamento como a data do pagamento das contas básicas, a dinâmica da casa com os gastos prioritários, a forma como avaliam a necessidade de fazer cortes e economias.  

Participar do orçamento familiar também permite que você explique como faz escolhas para conseguir guardar dinheiro para um objetivo mais distante, a longo prazo. 

Inserir a criança, neste contexto, facilita muito seu entendimento e adesão aos pedidos de que reduza o tempo no banho ou apague as luzes ao sair dos cômodos, por exemplo. Estar inserido no contexto traz sentido e conexão. 

3. Entregue pequenas contas para as crianças pagarem 

Esta é uma dica de educação financeira infantil exclusiva para as crianças maiores, por volta dos 12 anos. Escolha uma conta de valor baixo e deixe seu pagamento sob responsabilidade da criança para que aprenda a lidar com compromissos mensais junto com seus gastos de lazer. Será desafiador para a criança. Uma grande responsabilidade. 

4. Combine recompensas por tarefas 

Porque não turbinar a mesada combinando uma recompensa por um esforço extra? Assim reforçamos que devem conquistar o que querem através do trabalho. Cuide de calibrar as tarefas de acordo com a idade. 

5. Permita que as crianças ajudem a escolher os itens no mercado 

Explore o momento da compra para mostrar a seu filho como o mesmo produto pode variar de preço. Aproveite para explicar suas escolhas e, se possível, estabelecer uma relação entre o preço e a qualidade do produto, afinal de contas, nem sempre levamos o mais barato para casa. 

A experiência pode trazer uma noção mais concreta da ordem de grandeza investida para se manter o funcionamento essencial da casa para os mais velhos, por isso é uma das nossas dicas sobre educação financeira infantil. 

6. Ensine seu filho a pensar a longo prazo 

O cofrinho é um objeto que pode te auxiliar (e muito) na educação financeira infantil.

Muito rapidamente as crianças entendem que não podem ter tudo o que querem na hora que querem. Então qual é o sonho maior? Qual é a meta que motivará o esforço de poupar por meses até conseguir reunir os recursos necessários para comprar o item desejado?  

Ensine a seu filho que uma parte do que ganhamos é usado para as despesas do dia a dia e a outra parte direcionada a poupança e para o sonho maior. Ter cofrinhos separados para cada frente ajuda neste grande exercício de paciência e perseverança. 

 7. Ensine-o a poupar desde cedo 

Ensinar uma criança desde pequena a poupar e acumular dinheiro é como consolidar as bases da inteligência financeira e a importância de pequenos sacrifícios para futuras recompensas, por isso faz parte de nossas dicas sobre educação financeira infantil. 

Para ajudar nesta empreitada você pode abrir uma conta numa instituição financeira e estipular uma porcentagem da mesada a ser destinada para esta economia. Topa?! 

8. Dê jogos sobre finanças 

Algumas habilidades financeiras podem ser assimiladas de forma divertida com jogos que envolvem toda a família. Confira!

  • Banco Imobiliário kids (Acima de 5 anos): O objetivo deste jogo é acumular a maior fortuna, arrecadar dinheiro dos outros jogadores e levá-los à falência. Veja quantos termos novos podem ser trabalhados no universo da criança;  
  • Jogo da vida (Acima de 7 anos): Simula situações da vida real, até distantes das crianças dessa faixa etária, como entrar numa faculdade. Com isso as crianças vão aprendendo a lidar com o dinheiro; 
  • Jogo da mesada (Acima de 6 anos): As crianças devem passar o mês com a mesada dada pelos pais. Neste jogo as crianças conhecem noções básicas de empréstimos e juros. 

9. Ensine a diferenças entre querer e precisar 

Trabalhar a distinção entre o que é essencial e desejado é muito interessante e divertido, principalmente com as crianças menores. Ajude os pequenos a raciocinarem sobre esses conceitos e explique que o gasto em um item fará falta para o outro. 

Assim como falamos anteriormente, mesmo que você discorde da decisão da criança, deixe que ela aprenda com seus próprios erros e amadureça sua percepção para depois lapidar sua atitude, isso é essencial para que a educação financeira infantil seja bem sucedida. 

10. Nunca esconda a situação financeira familiar

Entender como é a relação da família com o dinheiro é um fator essencial na educação financeira infantil.

Para de fato se engajar na missão familiar e aderir sem resistência ao momento econômico da família, a criança precisa estar ciente dos acontecimentos que estão vivenciando. É uma forma de respeito a ela, ao seu desenvolvimento e ao uso mais eficaz dos recursos do lar. 

Blindar a criança de situações mais duras é um desejo do adulto, mas não é bom para as crianças e pode atrapalhar no processo da educação financeira infantil.   

11. Evite os principais erros na educação financeira infantil 

Todo pai e mãe quer ver seu filho feliz o tempo todo e, muitas vezes, cai na tentação de ceder aos seus pedidos e caprichos. Mas agir desta forma, na verdade, é um grande erro. Fique atento ao que você não deve fazer: 

  • Dar ao filho tudo o que você não teve;
  • Comprar bom comportamento;
  • Não ser um bom exemplo em casa. 

Para que a educação financeira infantil seja bem sucedida e a criança cresça com uma visão assertiva sobre finanças, é essencial prestar atenção e não cometer os erros citados acima.

12. Estimule o seu filho a estudar educação financeira

O momento da leitura pode tornar-se seu  aliado, com histórias atraentes e curiosas para os pequenos você poderá ensiná-los sobre educação financeira infantil e dinheiro. Acompanhe, abaixo, algumas sugestões: 

  • Dinheiro, Dinheirim moeda no cofrim; 
  • Almanaque Maluquinho – Pra que dinheiro?;
  • Desatando os Nós – Economia para crianças;
  • Ganhei um Dinheirinho – O que posso fazer com ele? 
Estimular o seu filho a ler e estudar sobre educação financeira infantil pode ajudar muito no processo de aprendizagem.

Esperamos que aproveite todas essas dicas sobre educação financeira infantil e coloque algumas ou todas em prática com seu filho. Temos certeza que serão úteis e relevantes, principalmente, neste cenário de recessão econômica e pandemia. 

E lembre-se sempre de conduzir o assunto de forma leve e lúdica, pois é mais fácil a criança aprender no território do “brincar”.   

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Publicado por Paula Lopes

Paula Lopes possui mais de 12 anos de experiência em curadoria e produção de conteúdo, gestão de canais, implantação de plataformas digitais, campanhas de engajamento e eventos motivacionais para o público interno de empresas de diferentes segmentos e portes.

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