Independência financeira: palavra de ordem é "organização" - Blog Icatu Seguros

Independência financeira: palavra de ordem é “organização”

Por blogicatu

Fabio Gallo, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) explica como controlar as finanças

A independência financeira foi o tema de uma live da Icatu com um dos mais requisitados especialistas em finanças do país. Fabio Gallo, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) participou do novo episódio da série Conversa com Especialista, no canal da Icatu no YouTube. Realizado em 9 de setembro, o encontro foi conduzido por Luana Macedo, do time de marketing, que fez a transmissão diretamente do novo estúdio de produção de conteúdo da Icatu.

Dinheiro para viver como planejado

Fabio Gallo iniciou o encontro explicando os conceitos do termo. Segundo ele, independência financeira significa ter dinheiro guardado no banco, ter aplicações que permitam a pessoa viver bem, de acordo com o que ela planejou. “É poder viver com alto grau de bem-estar, sem se preocupar em ter mais renda para pagar as despesas do dia a dia, como comida, moradia etc.”, disse o professor.

E essa medida não é única para todos. A pessoa pode ter um carro velho, sem GPS, sem som, pode viver na periferia, numa casa pequena, mas se é como ela planejou e se tem dinheiro guardado para pagar as contas, ela chegou lá. “Não é uma questão de riqueza. É uma questão de grau de bem-estar”, enfatizou Gallo, que também é colunista de finanças do jornal Estadão.

Riqueza e sucesso e não significam independência financeira

De fato, ser milionário não significa ter independência financeira. O especialista lembrou de Michael Jackson, o “rei do pop”, que fez sucesso mundial, ganhou muito dinheiro e morreu com uma dívida entre 400 e 500 mil dólares. A lição aqui é: não basta saber ganhar, é preciso também saber cuidar bem do que se tem. “A riqueza pode ser fugidia”, alertou.

Ter sucesso financeiro também não significa ter independência financeira. São coisas diferentes, explicou o professor, agora citando Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo. Bezos começou seu negócio, numa garagem, literalmente no fundo do quintal; hoje a Amazon vale algo como 250 milhões de dólares. Sem dúvida, ele teve sucesso financeiro. “Mas será que se perguntarmos isso a ele teremos a mesma resposta? A verdade é que cada um tem sua própria medida. No fundo é algo pessoal, uma questão do que isso significa para você”, explicou Gallo.

Quanto guardar

Quando o tema é planejar a independência financeira na aposentadoria, não importa a idade. Para o especialista, tudo deve começar com uma pergunta: “Como eu quero viver quando estiver nessa fase?”. Com essa resposta, é possível calcular quanto será preciso juntar para realizar seu plano.

Calculada a quantia necessária, é possível fazer o planejamento reverso. Ou seja, “a partir do ponto que estou, quanto tempo eu tenho, qual o prazo para essa aposentadoria que eu planejo, e quanto de dinheiro eu vou precisar investir por mês para chegar naquele momento com o valor total que eu planejo”, ensinou o professor.

Fazendo as contas

Gallo mostrou exemplos práticos. Para um jovem, que queira juntar o valor total de 500 mil reais, num prazo de 30 anos, considerando uma rentabilidade de 1% ao mês, seria preciso investir por mês aproximadamente 143 reais. Muito pouco. “Uma cerveja por dia”, disse ele. Ou uma pizza por mês. Quando a pessoa começa a investir cedo, o tempo joga a favor do investimento.

Outro exemplo foi o de uma pessoa que começa a investir tarde, depois dos 50 anos de idade, faltando apenas 10 para sua aposentadoria. Supondo que ela queira juntar no total os mesmos 500 mil reais, com o mesmo 1% de juros ao mês, ela precisaria investir 2.176 reais por mês. “Esse é o custo da espera”, disse o professor. “Quanto antes você começar mais fácil será”, recomendou.

Filhos dependem mais dos pais hoje

Na live Fábio comentou sobre uma pesquisa realizada pela London Business Economic School há alguns anos. A ideia era saber como as pessoas pensavam em se sustentar na aposentadoria. Cerca de 30% dos ingleses e outros europeus responderam que contavam com a família, com os filhos. No Brasil esse número bateu 65%. “Olhe em volta e se pergunte: meus filhos vão me manter quando eu estiver aposentado? Que condição minha família vai ter?”, questionou.

Isso torna-se ainda mais preocupante diante de um fenômeno recente mundial. “Hoje, muitos pais ajudam financeiramente os filhos, os netos… Nos EUA, 50% da riqueza que os pais tinham guardado estão sendo consumidos com filhos adultos”, pontuou ele. A pandemia acelerou esse processo mas é uma tendência. Hoje muita gente sustenta os filhos com a aposentadoria. Segundo Gallo, é preciso incluir isso nos cálculos.

A ilusão dos 70%

Existe uma crença de que na aposentadoria as despesas caem, de que será possível manter o padrão de vida com cerca de 70% renda atual. “Não é bem assim. Algumas contas vão cair, mas outras vão subir”, alertou Fabio. Os custos com carro, combustível, escola do filho, aluguel podem diminuir. Mas provavelmente você vai gastar mais com plano de saúde, com remédio… E até com presentes. Vai ter netos, sobrinhos, mais gente na família.

Outro ponto levantado por ele são os novos custos do orçamento. “Antigamente a gente não tinha toda essa sofisticação: wi fi, banda larga, internet no celular, streaming, TV por assinatura… A vida ficou mais cara com tudo isso”, disse ele. No futuro serão outras comodidades. É preciso provisionar esses custos no nosso planejamento.

Aprendizado

Quanto à escolha do melhor investimento, a recomendação de Fabio é informar-se. É preciso conhecer mais sobre finanças, aprender o que é renda fixa, variável, o que é previdência privada, tesouro direto, ações… Um bom recurso são os cursos de educação financeira oferecidos gratuitamente pela Icatu em parceria com a FGV. Alguns administrados pelo próprio Fabio Gallo.

Seja como for, segundo o especialista, a palavra de ordem é organização. Tem gente que acha que poupar é guardar o que sobra no final do mês. Não é. Criar um percentual de riqueza para viver melhor exige planejamento. A dica é fazer as contas. Saber literalmente, quanto a gente ganha, quanto entra no bolso efetivamente, fora os descontos. Depois fazer os mesmos com os gastos, as despesas, incluindo doações e gorjetas. Tudo!

Visão anual e custo da hora trabalhada

Fabio falou sobre o hábito dos norte-americanos de pensar na renda anual, o que, em sua visão, é superpositivo. Na hora de fazer o orçamento, se você tem um salário de dois mil reais por mês, precisa lembrar de incluir no cálculo da sua receita também o décimo terceiro, a bonificação, a restituição do IR… É preciso ter a visão anual. O mesmo vale para as despesas, incluindo aqueles gastos sazonais, como IPTU, IPVA, matrícula da escola…

Segundo Fabio Gallo, outra conta importante que muita gente não faz é calcular o custo da hora trabalhada. Assim é possível saber quanto cada gasto representa efetivamente em tempo seu trabalhado. Será que você gostaria, por exemplo, de gastar 50 dias de trabalho só para pagar as contas do telefone? São avaliações muito úteis.

Participe também do curso gratuito e online “Como organizar o orçamento familiar”, com o próprio Fabio Gallo, oferecido em parceria com a FGV. Outra dica é conferir os simuladores de previdência da Icatu para calcular quanto você precisa investir por mês para alcançar a sua independência financeira na aposentadoria. Clique aqui.

Assista à live completa abaixo, inscreva-se no nosso canal no YouTube e ative as notificações para não perder os próximos encontros. Aqui.

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